PF prende grupo por filmar tortura de bebês e vender os vídeos na internet

PF descobriu o esquema por acaso, ao vasculhar celular apreendido em outra operação

Por José Ribas Neto,

A Polícia Federal prendeu nove pessoas na última quinta-feira, 2 de julho, suspeitas de torturar bebês, crianças e animais domésticos no Rio Grande do Sul, gravar as cenas e vender os vídeos pela internet. As prisões ocorreram em Bagé, Candiota e Canoas, com base em mandados expedidos pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Bagé.
 

Dois dos presos são militares do Exército Brasileiro.
Segundo a PF, havia propósito financeiro por trás das gravações. Parte dos investigados produzia os vídeos mediante pagamento, segundo o delegado Ronaldo Reis.

A investigação apura violência física e psicológica reiterada contra as vítimas, incluindo sufocamento e asfixia, sem indícios de motivação sexual. Não houve mortes de crianças nem de animais nos casos apurados até agora.

O inquérito nasceu por acaso. Durante outra operação policial no ano passado, a PF apreendeu o celular de um investigado e encontrou, no aparelho, o material que deu origem a esta nova apuração. Só nesse telefone foram localizados cerca de 80 vídeos. Entre as vítimas já identificadas nas imagens estão dois bebês, uma criança e um adolescente.


A Justiça decretou prisão preventiva por 30 dias contra os nove investigados. Os nomes não foram divulgados. As vítimas ainda estão sendo identificadas, e a PF pretende ouvir familiares e as próprias crianças em uma segunda etapa da investigação, para apurar se os responsáveis legais tinham conhecimento das agressões. Segundo a apuração, nos casos já esclarecidos, os responsáveis não sabiam do que acontecia.


Os investigados podem responder por tortura contra crianças e adolescentes, maus-tratos a animais e organização criminosa, já que cada um teria uma função distinta no esquema, da produção à distribuição do material.


O que diz o Exército

O Exército Brasileiro confirmou a prisão dos dois militares e informou que eles cumpriam o serviço militar obrigatório e não estavam em atividade no momento dos crimes, que teriam ocorrido em contexto particular, sem relação com atividades ou instalações militares. A corporação afirmou que vai colaborar com as investigações e que vai abrir procedimento interno próprio contra os dois, em paralelo ao processo na Justiça.

Fonte: Polícia Federal

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