Golpes no Pix: 9 em cada 10 pedidos de devolução são negados

Dados do Banco Central mostram que 10,7 milhões de solicitações foram recusadas entre janeiro e abril deste ano

Por Redação Portal AZ,

Nove em cada dez pedidos de devolução de valores perdidos em golpes realizados por meio do Pix foram negados pelas instituições financeiras entre janeiro e abril de 2026. O levantamento, feito pelo SBT News com base em dados do Banco Central, mostra que 10,7 milhões das 11,8 milhões de solicitações registradas no período foram recusadas.

Foto: Divulgação/PixPedidos de devolução de valores do Pix dependem da análise das instituições financeiras.
Pedidos de devolução de valores do Pix dependem da análise das instituições financeiras.

Dos pedidos analisados, R$ 264,7 milhões foram devolvidos integralmente às vítimas, o equivalente a cerca de 10% do valor reconhecido no período. Os dados mais recentes disponíveis abrangem os quatro primeiros meses do ano.

Como funciona a devolução

O mecanismo utilizado para tentar recuperar valores transferidos em casos de fraude é o Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central. O recurso pode ser acionado em situações que envolvam golpes, fraudes, crimes ou falhas operacionais.

A vítima deve comunicar o golpe à instituição financeira onde mantém a conta em até 80 dias após a transação.

Depois da reclamação, o banco ou instituição que recebeu o dinheiro pode bloquear cautelarmente os valores ainda disponíveis na conta de destino. As instituições envolvidas têm até sete dias corridos para analisar o caso.

Se a fraude for confirmada, o dinheiro pode ser devolvido, desde que ainda haja recursos disponíveis na conta que recebeu a transferência. Caso o saldo seja insuficiente, podem ocorrer devoluções parciais se novos valores forem depositados na conta dentro do prazo previsto.

A decisão sobre a devolução, porém, não cabe ao Banco Central. A análise é feita pelas instituições financeiras envolvidas na operação.

Golpes usam diferentes estratégias

O chamado golpe do Pix reúne diferentes tipos de fraude em que o sistema de pagamentos é utilizado para transferir rapidamente o dinheiro das vítimas.

Entre as práticas estão falsas centrais bancárias, golpes envolvendo pessoas conhecidas, vendas inexistentes, comprovantes falsos, alterações de QR Codes ou chaves Pix e falsas oportunidades de investimento.

Em muitos casos, o Pix é apenas o meio utilizado para movimentar o dinheiro. A fraude ocorre antes da transferência, por meio de engenharia social, personificação, invasão de contas ou outras formas de manipulação.

Uma pesquisa do IPESPE encomendada pelo Observatório Febraban e divulgada em junho de 2025 mostrou que 24% dos entrevistados citaram o golpe do Pix entre as fraudes mais mencionadas pelos brasileiros. Também apareceram clonagem ou troca de cartão (45%), golpe do WhatsApp (34%) e falsa central bancária (31%).

Estelionato cresce no país

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, registrou 2.261.055 ocorrências de estelionato em 2025. O número representa alta de 429,8% em relação a 2018.

Segundo o levantamento, 15,8% da população brasileira com mais de 16 anos — cerca de 26,3 milhões de pessoas — afirmou ter sido vítima de algum golpe no último ano.

O estudo também aponta que 83,2% dos brasileiros temem ser vítimas de fraude pela internet ou pelo celular.

De acordo com o anuário, o estelionato passou a ser praticado em estruturas organizadas, com divisão de tarefas, metas de arrecadação e até bônus por desempenho. O levantamento também aponta a atuação de organizações criminosas em esquemas de fraudes digitais.

Fonte: SBT News

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