Pressão estética nas redes gera alerta sobre saúde mental antes de procedimentos

Especialistas orientam avaliar expectativas e riscos antes de procedimentos com orientação

Por Dominic Ferreira,

A busca por uma aparência considerada perfeita tem sido intensificada pela exposição constante a padrões de beleza nas redes sociais. Filtros, imagens editadas, procedimentos estéticos e a comparação permanente podem fazer com que características naturais sejam percebidas como defeitos que precisam ser corrigidos. Segundo Melissa Fecury, psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da Wyden, a repetição desses padrões pode influenciar a percepção que as pessoas têm sobre a própria aparência, especialmente quando elogios, atenção e aprovação passam a funcionar como estímulos para a busca por determinado padrão estético. Nesse cenário, a aparência pode deixar de ser apenas uma questão pessoal e passar a ser encarada como condição para obter aceitação e bem-estar.

Foto: Reprodução | DivulgaçãoOk

As redes sociais contribuem para esse processo ao apresentar imagens que, muitas vezes, foram modificadas por filtros e recursos de edição. A comparação entre a aparência real e uma realidade construída digitalmente pode aumentar a insatisfação corporal e estimular a necessidade de modificar constantemente a própria imagem. A preocupação com a aparência, por si só, não representa necessariamente um problema psicológico, mas alguns comportamentos merecem atenção quando passam a interferir na rotina e nas relações. Entre os sinais estão passar tempo excessivo diante do espelho, tirar fotos repetidamente, esconder características físicas, buscar aprovação de forma constante ou evitar situações sociais por causa da aparência. Em determinadas situações, a insatisfação pode estar associada ao transtorno dismórfico corporal, embora apenas um profissional qualificado possa avaliar a existência do transtorno.

A pressão estética também pode influenciar a decisão de realizar procedimentos. De acordo com Melissa, em alguns casos, a pessoa deposita na intervenção a expectativa de resolver questões que vão além da aparência, como insegurança, rejeição ou baixa autoestima. O procedimento pode proporcionar alívio momentâneo e gerar elogios, reforçando a percepção de que modificar o corpo é a solução para se sentir melhor. No entanto, uma nova característica pode passar a incomodar posteriormente, mantendo um ciclo de insatisfação. Por isso, a avaliação psicológica antes de uma intervenção pode contribuir para identificar expectativas e compreender as razões que levam à decisão. A proposta, segundo a especialista, não é impedir o procedimento, mas verificar se a pessoa busca uma mudança estética ou espera que ela produza transformações emocionais mais amplas.

Especialistas destacam a importância de conhecer os riscos e os direitos envolvidos antes de qualquer intervenção. Marina Bordallo, advogada e coordenadora do curso de Direito da Wyden, ressalta que uma complicação não significa automaticamente a ocorrência de erro médico. A análise deve considerar a avaliação prévia, a indicação do procedimento, os riscos e alternativas apresentados, o consentimento informado, a qualificação do profissional, o cumprimento dos protocolos e o acompanhamento posterior. Em caso de complicações graves ou suspeita de irregularidade, a orientação é preservar prontuários, exames, prescrições, termos de consentimento, contratos, comprovantes de pagamento, fotografias, mensagens e laudos médicos. Dependendo da situação, também podem ser procurados o Conselho Regional de Medicina, a Vigilância Sanitária e profissionais especializados em orientação jurídica. A recomendação é investigar cada caso com base em documentos e provas técnicas, sem presumir imediatamente erro médico, mas também sem aceitar explicações genéricas sem a devida apuração.

Fonte: Ícone Comunicação

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