MP pede exoneração de secretário de Justiça depois de concluir que presos foram envenenados

Órgão afirma que presos foram vítimas de envenenamento na cadeia de Altos

Por Marcelo Gomes,

O Ministério Público do Piauí pediu a exoneração do secretário de Justiça, Carlos Edilson, depois de concluir uma investigação de que quase 200 presos da Cadeia Pública de Altos foram vítimas de envenenamento, durante uma dedetização realizada no início de maio no presídio. Seis destes morreram dias depois de terem sido internados. Segundo o MP, Carlos Edilson não teria prestado informações solicitadas pelo Ministério e demais órgãos que acompanharam as investigações sobre as causas do adoecimento e das mortes dos detentos da CPA.

Carlos Edilson, secretário estadual de Justiça (Foto: Fernanda Gil / Portal AZ)

Em nota encaminhada ao Portal AZ, na tarde desta segunda-feira (15), a Secretaria de Justiça (Sejus) negou que essa seja a causa da intoxicação dos presos na Cadeia de Altos e que aguarda o resultado dos exames técnicos para se posicionar definitivamente sobre os fatos.

O promotor de Justiça Elói Júnior, titular da 48ª Promotoria de Justiça de Teresina, afirmou que os profissionais de saúde da instituição e os que acompanharam o tratamento dos detentos concluíram que os presos foram vítimas de uma intoxicação exógena. A conclusão foi feita após uma avaliação dos prontuários médicos dos presos da CPA e dos hospitais públicos onde os detentos estiveram internados. Foram analisados os exames laboratoriais e de imagem.

MP afirma que presos da CPA foram envenenados durante dedetização (Foto: Francisco Leal/Ccom)

Segundo o membro do MP, no início de maio, pouco antes dos primeiros presos adoeceram, uma empresa havia realizado serviços de dedetização, desratização, descupinização e capina. Na dedetização foi utilizado o inseticida piretróide Cipermetrina 250 Ce, substância compatível com os achados médicos nos exames realizados nos presos.

Ainda segundo o promotor, o secretário estadual de Justiça, Carlos Edilson, não prestou as informações solicitadas pelo Ministério Público e demais órgãos que acompanham as investigações sobre as causas do adoecimento e das mortes dos detentos da CPA. Elói Júnior pediu a exoneração do secretário. 

O promotor de Justiça determinou ainda o envio dos documentos e das informações obtidas a órgãos, como a Vara de Execuções Penais de Teresina, à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde; ao Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), entre outros.

De acordo com o MP, o inquérito civil instaurado deve prosseguir para apurar outras questões relacionadas ao tratamento dos presos como, por exemplo, avaliar se o atendimento médico que cada um recebeu foi satisfatório ou não. Clique aqui  e veja o despacho do Ministério Público na íntegra. 

Sejus rebate acusações 

Em nota encaminhada ao Portal AZ, a Secretaria de Justiça informou que aguarda a conclusão da análise para determinar a causa do agravo à saúde dos referidos internos. A Sejus esclareceu ainda que aguarda o resultado dos exames técnicos para se posicionar definitivamente sobre os fatos.

Veja abaixo a nota na íntegra:

Acerca das declarações públicas do Promotor de Justiça Dr° Elói Júnior, afirmando que a causa dos problemas de saúde que acometeram um grupo de internos da Cadeia Pública de Altos teria sido intoxicação, tendo em vista uma dedetização ocorrida na Unidade, supostamente no inicio do mês de maio de 2020, a Secretaria de Estado da Justiça esclarece que solicitou a realização de exames técnicos à SESAPI e aguarda a conclusão da análise para determinar a causa do agravo à saúde dos referidos internos. 

Importante esclarecer que a dedetização fora realizada em 15.05.2020, nas áreas externas da Cadeia, data esta posterior à da ocorrência do primeiro óbito registrado. A SEJUS reitera, ainda, que aguarda o resultado dos exames técnicos para se posicionar definitivamente sobre os fatos.

Entenda o caso

48 detentos da Cadeia Pública de Altos tiveram uma infecção em 7 de maio. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) foi acionada e coletou amostras para exames, dentre eles o para a covid-19, embora, segundo a Sejus, nenhum dos presos tenha apresentado sintomas da doença.

“Uma equipe da Sesapi foi até o local e coletou amostras para exames. Foram requisitados os exames de hemograma, sumário de urina, TGO, creatinina, sódio, potássio, cloro, hantavírus, adenovírus, leptospirose e hepatite A”, disse em nota a Sejus.

A Sejus ainda destacou que, conforme o relatório preliminar, a contaminação seria pela presença de coliformes fecais na água. Em nota o órgão afirma que contratará uma empresa para realização de limpeza dos reservatórios. 

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