STF marca para dia 28 interrogatório dos réus do núcleo 3 da trama golpista
Grupo é acusado de executar ações táticas e planejar sequestro e execução de autoridades
O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para a próxima segunda-feira, 28 de julho, os interrogatórios dos réus do núcleo 3 da chamada trama golpista. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (23) pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso na Corte, que deverá conduzir os depoimentos.
O núcleo 3 é composto por dez réus que, segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), teriam atuado diretamente em ações táticas que incluíam o monitoramento de alvos do suposto complô e o planejamento de sequestro e execução de autoridades públicas.
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Com a data definida para os interrogatórios, encerrou-se também nesta quarta-feira a fase de oitiva das testemunhas de defesa e acusação dos quatro núcleos envolvidos no processo. Os últimos depoimentos foram prestados por testemunhas relacionadas ao núcleo 3. Segundo o STF, todas as testemunhas que se dispuseram a comparecer já foram ouvidas.
Ainda nesta quinta-feira (24), serão interrogados os seis réus do núcleo 2, acusados de elaborar estratégias centrais para o golpe, incluindo a redação de uma minuta de decreto inconstitucional e a utilização indevida da estrutura da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
No mesmo dia, também prestarão depoimento os sete réus do núcleo 4, apontados pela PGR como responsáveis por disseminar desinformação e falsas narrativas sobre o processo eleitoral, com o intuito de criar desconfiança nas urnas eletrônicas e fomentar um clima social favorável à ruptura institucional.
Os interrogatórios serão transmitidos ao vivo pela TV Justiça, assim como os do núcleo 1, cujas audiências já ocorreram. Trata-se de um procedimento incomum em ações penais, uma vez que os depoimentos costumam ser públicos, mas raramente são transmitidos em tempo real pelos canais oficiais do Supremo.
A transmissão ao vivo, no entanto, não se aplicou à fase das testemunhas. Por ordem do ministro Alexandre de Moraes, os depoimentos prestados pelas testemunhas foram restritos à imprensa, que pôde acompanhá-los diretamente de uma sala no edifício do STF, em Brasília. As gravações desses depoimentos agora serão anexadas aos autos de cada uma das quatro ações penais que compõem o caso.
O processo foi dividido em quatro núcleos distintos por decisão do procurador-geral da República, Paulo Gonet, com aval da Primeira Turma do STF. A medida foi tomada como estratégia para racionalizar e acelerar o julgamento, embora tenha sido alvo de críticas por parte das defesas dos réus.
Réus do núcleo 2 (estratégia e articulação):
- Filipe Martins (ex-assessor internacional do ex-presidente Jair Bolsonaro)
- Marcelo Câmara (ex-assessor de Bolsonaro)
- Silvinei Vasques (ex-diretor da PRF)
- Mário Fernandes (general do Exército)
- Marília de Alencar (ex-subsecretária de Segurança do DF)
- Fernando de Sousa Oliveira (ex-secretário adjunto de Segurança do DF)
Réus do núcleo 3 (execução de ações táticas):
- Bernardo Romão Correa Netto (coronel do Exército)
- Cleverson Ney Magalhães (tenente-coronel)
- Estevam Theophilo (general)
- Fabrício Moreira de Bastos (coronel)
- Hélio Ferreira (tenente-coronel)
- Márcio Nunes de Resende Júnior (coronel)
- Nilton Diniz Rodrigues (general)
- Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel)
- Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel)
- Ronald Ferreira de Araújo Júnior (tenente-coronel)
- Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel)
- Wladimir Matos Soares (policial federal)
Réus do núcleo 4 (desinformação e manipulação):
- Ailton Gonçalves Moraes Barros (major da reserva do Exército)
- Ângelo Martins Denicoli (major da reserva)
- Giancarlo Gomes Rodrigues (subtenente)
- Guilherme Marques de Almeida (tenente-coronel)
- Reginaldo Vieira de Abreu (coronel)
- Marcelo Araújo Bormevet (policial federal)
- Carlos Cesar Moretzsohn Rocha (presidente do Instituto Voto Legal)
O julgamento segue sob responsabilidade do Supremo Tribunal Federal e ainda não há previsão para a fase final, que incluirá as alegações finais e as decisões quanto às condenações ou absolvições dos 31 réus.
Fonte: Agência Brasil