Mendonça mantém caso do INSS no STF durante recesso judicial
Decisão evita que prisões da operação sejam revistas no plantão
Relator do caso que apura irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça decidiu não entrar em recesso neste fim de ano. Segundo interlocutores, a medida teve como objetivo evitar que as prisões determinadas por ele fossem analisadas e eventualmente revistas pelo ministro responsável pelo plantão judiciário.
No último dia 18 de dezembro, a Polícia Federal cumpriu 16 mandados de prisão em mais uma fase da Operação Sem Desconto, autorizada por Mendonça. De acordo com as investigações, as prisões foram solicitadas para impedir a destruição de provas, evitar fugas e interromper a continuidade dos crimes investigados.
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Quando um ministro do STF entra em férias, os processos considerados urgentes, como pedidos de habeas corpus, passam automaticamente para o magistrado de plantão. Ao permanecer em atividade, Mendonça mantém sob sua responsabilidade qualquer decisão relacionada ao caso do INSS durante o período de recesso.
Entre os presos está Adroaldo Portal, então número dois do Ministério da Previdência, que posteriormente passou a cumprir prisão domiciliar por motivos de saúde. Também foram detidos Romeu Carvalho Antunes Filho, filho do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e Éric Fidelis, filho do ex-diretor do INSS André Fidelis. Segundo a Polícia Federal, ambos continuariam atuando em esquemas criminosos atribuídos aos pais, que já estavam presos.
Durante a operação, endereços ligados ao senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado, também foram alvo de buscas. A Polícia Federal chegou a solicitar a prisão do parlamentar, mas o pedido não foi autorizado pelo STF.
As investigações apontam que entidades associativas vinculadas ao INSS teriam realizado descontos ilegais em benefícios previdenciários, causando um prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
Além de André Mendonça, outros ministros do Supremo, como Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, também optaram por manter atividades durante o recesso. Entre os temas sensíveis analisados pela Corte neste período de fim de ano está o caso envolvendo o Banco Master, que segue sob atenção do Judiciário.
Fonte: SBT News