Brasil bate recorde de denúncias de trabalho escravo
Número de registros cresce 14% e atinge o maior patamar desde a criação do Disque 100
O Brasil registrou em 2025 o maior volume de denúncias de trabalho escravo e de condições análogas à escravidão desde o início da série histórica, em 2011, indicando que a violação de direitos básicos no mundo do trabalho segue sendo um problema estrutural no país.
Ao longo do ano passado, 4.515 denúncias foram encaminhadas aos canais oficiais do governo federal, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. O número representa um crescimento de 14% em relação a 2024, quando já havia sido registrado um recorde.
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A escalada é contínua. Em 2021, pouco menos de duas mil ocorrências haviam sido reportadas. Em 2022, o total ultrapassou dois mil. Em 2023, superou a marca de 3,4 mil. No ano seguinte, chegou a quase quatro mil. Em pouco mais de uma década, o volume anual de denúncias mais que dobrou.
O mês de janeiro de 2025 foi o mais crítico desde a criação do Disque 100. Somente nos primeiros 30 dias do ano, 477 registros de suspeita de trabalho escravo foram feitos por cidadãos em todo o país.
As denúncias abrangem desde situações envolvendo crianças até adultos submetidos a jornadas exaustivas, ambientes degradantes, retenção de documentos, servidão por dívida e restrição de liberdade — práticas que caracterizam o crime conforme a legislação brasileira.
Os dados dialogam com a atuação dos órgãos de fiscalização. Em 2024, mais de 2,1 mil trabalhadores foram retirados de situações análogas à escravidão em operações do Ministério do Trabalho. Desde 1995, quando o Estado brasileiro reconheceu oficialmente o problema, cerca de 65,6 mil pessoas já foram resgatadas em todo o território nacional.
As ações são conduzidas pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel, que reúne auditores-fiscais do trabalho, procuradores e forças de segurança, e atua principalmente a partir de denúncias encaminhadas pelos canais públicos.
A construção civil e o agronegócio concentram os maiores números de resgates. No último levantamento, obras de edifícios lideraram o ranking, seguidas por lavouras de café, cebola e hortaliças, além de serviços ligados à preparação de solo e colheita.
Uma mudança no perfil das ocorrências chama atenção das autoridades: quase um terço dos trabalhadores libertados em 2024 estava em áreas urbanas, o que indica a expansão do trabalho escravo para além das zonas rurais, onde o problema historicamente se concentrou.
Especialistas avaliam que o aumento das denúncias reflete, em parte, maior conscientização da sociedade e mais acesso aos canais de registro, mas ressaltam que o patamar elevado confirma que a exploração extrema do trabalho segue presente no cotidiano do país.
Fonte: Com informações do G1