Moraes diz que provas não deixam dúvida sobre mandantes da morte de Marielle

Relator do STF atribui aos irmãos Brazão a ordem do crime e aponta participação de aliados e ligação com milícias

Por Redação Portal AZ,

O ministro Alexandre de Moraes afirmou nesta terça-feira (24) que não há dúvida de que os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão foram os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Relator do caso na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, ele disse que as provas reunidas pela Procuradoria-Geral da República sustentam a responsabilização dos acusados.

Foto: Mídia NINJAMarielle Franco
Marielle Franco

O julgamento analisa a atuação dos apontados como mandantes e participantes do crime ocorrido em 2018, no Rio de Janeiro. Também são réus o ex-chefe da Polícia Civil fluminense Rivaldo Barbosa, o major da PM Ronald Alves de Paula e o ex-policial militar Robson Calixto. Todos estão presos preventivamente.

Ao iniciar a leitura do relatório, Moraes citou a delação do ex-policial Ronnie Lessa, que confessou os disparos e apontou os mandantes. Segundo a acusação, Rivaldo Barbosa participou da preparação do crime, Ronald monitorou a rotina da vereadora e repassou informações ao grupo, enquanto Robson Calixto teria entregue a arma usada na execução.

O ministro destacou que as investigações ouviram nove testemunhas de acusação e 46 de defesa e apontou a existência de uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas e atuação em atividades como grilagem de terras, loteamentos irregulares e exploração clandestina de serviços.

De acordo com a denúncia, essas áreas eram usadas como base eleitoral e fonte de recursos para o grupo, com vínculos com milícias. A PGR sustenta que os loteamentos teriam sido utilizados como forma de pagamento pelo homicídio.

Moraes afirmou que Marielle se tornou um dos principais símbolos de oposição aos interesses econômicos dos acusados, o que teria motivado o crime tanto para eliminar a resistência política quanto para intimidar outros adversários.

O relator também mencionou a atuação de Rivaldo Barbosa na condução inicial das investigações, apontando que houve tentativa de direcionar a apuração com a fabricação de provas contra um suspeito que se recusou a assumir a autoria.

A sessão foi aberta pelo presidente da Primeira Turma, Flávio Dino, que destacou o caráter técnico do julgamento.

Fonte: Com informações da Agência Brasil

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