Tempestade deixa 10 mortos e mais de 100 mil pessoas isoladas no Chile

Sistema frontal atinge dez regiões, provoca inundações e deslizamentos e deixa milhares de imóveis danificados

Por Viviane Setragni,

Uma forte tempestade que atinge o Chile já deixou pelo menos 10 mortos e mais de 100 mil pessoas isoladas, segundo o balanço mais recente do Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Catástrofes (Senapred). O sistema frontal afeta dez das 16 regiões do país e provocou inundações, deslizamentos de terra, cortes de estradas e danos em imóveis.

Foto: Guillermo Salgado/AFPok

O presidente chileno, José Antonio Kast, esteve nesta segunda-feira (20) em Coquimbo, no norte do país, uma das áreas mais afetadas pelo mau tempo. A região e a província de Huasco, em Atacama, foram declaradas em estado de catástrofe devido à dimensão dos estragos.

O número de vítimas pode aumentar. Segundo o Senapred, há ainda quatro pessoas classificadas pela polícia como presumíveis vítimas. Até o momento, 17 pessoas ficaram feridas, enquanto 2.422 foram diretamente afetadas pela emergência e 104.504 permanecem isoladas, principalmente nas regiões de Atacama e Coquimbo.

O isolamento de comunidades ocorre em razão de interrupções nas estradas e da elevação do nível dos rios. O Ministério da Saúde decretou alerta sanitário nas duas regiões, onde também há localidades enfrentando problemas no abastecimento de água potável.

As Forças Armadas do Chile enviaram um primeiro carregamento com seis toneladas de ajuda humanitária para atender as áreas atingidas.

Durante visita à região norte, Kast lamentou as mortes e pediu atenção redobrada às equipes de emergência e aos socorristas que atuam nas áreas de risco. O presidente também agradeceu aos voluntários, bombeiros e demais instituições envolvidas nas operações de atendimento à população.

Segundo o Senapred, 76 casas foram destruídas e outras 2.121 sofreram danos graves. Há ainda 16.948 imóveis com danos leves, enquanto 888 propriedades permanecem sob avaliação das equipes municipais.

A situação é especialmente grave em Coquimbo. Dados da Direção Meteorológica do Chile apontam que a região registrou, desde a última terça-feira, volumes de chuva entre 155 e 287 milímetros em diferentes pontos. Em algumas localidades, o acumulado se aproxima do dobro de toda a precipitação registrada durante 2025.

O governador de Coquimbo, Cristóbal Juliá, afirmou que a região enfrenta uma situação de alto risco e relatou que diversas áreas estão cobertas de lama. Já o ministro das Obras Públicas, Louis de Grange, classificou o episódio como a maior catástrofe climática registrada na região nos últimos 40 anos.

O fenômeno meteorológico, associado ao El Niño, começou na quinta-feira na região centro-sul e avançou em direção ao norte. Além das chuvas intensas, o sistema provocou fortes rajadas de vento, que chegaram a 160 quilômetros por hora em algumas áreas, além de ondas de grande intensidade, deslizamentos, alagamentos e interrupções no fornecimento de energia elétrica e água.

O governo chileno avalia que a tempestade está entre os eventos climáticos mais relevantes dos últimos anos no país devido à extensão e à intensidade. A previsão é de que as condições adversas continuem afetando diferentes regiões do Chile até o fim desta semana.

Para facilitar a mobilização de recursos e a coordenação das equipes de emergência, Kast declarou nesta segunda-feira a ativação do estado de emergência constitucional nas áreas mais atingidas pelo mau tempo.

Fonte: G1

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