Hamas anuncia cessar-fogo permanente com Israel após garantias dos EUA e aliados

Khalil al-Hayya declara fim da guerra e abertura da passagem de Rafah entre Gaza e Egito

Por Carlos Sousa,

Em um pronunciamento televisionado nesta quinta-feira (9), Khalil al-Hayya, chefe do Hamas exilado da Faixa de Gaza, anunciou o fim da guerra com Israel e o início de um cessar-fogo permanente, após quase um ano de conflito iniciado em 7 de outubro de 2023. Segundo o líder do grupo, o acordo foi firmado com garantias dos Estados Unidos, de mediadores árabes e da Turquia, marcando o desfecho de uma das mais sangrentas crises do Oriente Médio nas últimas décadas.

“Hoje, anunciamos que chegamos a um acordo para pôr fim à guerra e à agressão contra nosso povo, e iniciar a implementação de um cessar-fogo permanente, a retirada das forças de ocupação e a entrada de ajuda humanitária”, afirmou al-Hayya em sua fala transmitida por canais árabes.

Foto: Reprodução/CNNKhalil Al-Hayya, chefe exilado do Hamas
Khalil Al-Hayya, chefe exilado do Hamas

De acordo com o líder, o pacto inclui também a abertura da passagem de Rafah, localizada no sul da Faixa de Gaza, em ambas as direções. A passagem, situada na fronteira com o Egito, é estratégica para o fluxo de pessoas e o envio de suprimentos ao território palestino, que enfrentou meses de bloqueio e crise humanitária severa.

O acordo, segundo informações das Brigadas Al-Qassam, braço armado do Hamas, prevê ainda a libertação de 250 palestinos condenados à prisão perpétua e de 1.700 prisioneiros detidos após outubro de 2023. Em comunicado, o grupo afirmou ter tratado a proposta dos Estados Unidos com “grande responsabilidade” e enviou uma resposta “que atende aos interesses e direitos do povo palestino”.

“O povo da Faixa de Gaza travou uma guerra como nenhuma outra que o mundo já viu, confrontando a tirania do inimigo, a brutalidade de seu exército e seus massacres”, acrescentou o texto divulgado pelas Brigadas Al-Qassam.

O cessar-fogo ocorre após uma série de negociações intensas entre Washington, Doha, Cairo e Ancara, mediadas sob forte pressão internacional para conter a escalada de violência e a devastação em Gaza, onde dezenas de milhares de civis foram mortos e milhões ficaram desalojados.

Paralelamente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta quinta-feira (9) que os reféns do Hamas serão libertados entre segunda (13) e terça-feira (14). Em reunião na Casa Branca, Trump declarou que pretende viajar ao Oriente Médio para participar da celebração do acordo.

“Acho que será uma paz duradoura, espero que seja uma paz eterna. Paz no Oriente Médio”, disse o presidente, sinalizando que o entendimento pode abrir caminho para uma nova fase diplomática na região.

Fonte: CNN Brasil

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