Não há risco epidemiológico com a Copa América, diz Queiroga
O ministro da Saúde presta novo depoimento à CPI da Covid nesta terça-feira
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid ouve, nesta terça-feira (8/6), o depoimento do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. É a segunda vez que o cardiologista depõe ao colegiado. A sessão teve início às 9h30.
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Não há risco epidemiológico com a Copa América, diz Queiroga (Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles)
Aos senadores, o ministro afirmou que tem o comprisso de acelerar a vacinação contra a Covid-19 no Brasil. Queiroga afirmou ao colegiado ter “muita segurança” de que “teremos a nossa população vacinável imunizada até o fim do ano”.
O retorno de Queiroga à CPI ocorre às vésperas da Copa América 2021 no Brasil. O governo federal aceitou a transferência de sede para o país mesmo com iminente risco de uma terceira onda da Covid-19.
Sobra a Copa América, a ser realizada no país, com início no dia 13 de junho, o ministro afirmou que não há risco epidemiológico para o Brasil.
Ele afirmou que não há estudos que comprovem a transmissão de vírus em campo entre os atletas. “Não consta [em nenhum estudo] que essa prática aumente o risco de circulação do vírus, que possa colocar em risco a vida dos jogadores ou a vida dos membros da comissão técnica”.
Ainda segundo o ministro, Bolsonaro não o procurou para dar aval sobre a realização ou não do torneio. No entanto, o presidente teria pedido que o cardiologista avaliasse os protocolos sanitários dos organizadores do torneio.
“O esporte está liberado no Brasil e não existe provas de que essa prática aumenta o nível de contaminação dos atletas. Exames de RT-PCR são requeridos para entrada desses atletas no Brasil; o transporte dos jogadores ocorre de maneira controlada, com uso de equipamento de proteção individual”.
O titular da Saúde foi questionado pelos senadores sobre a segurança sanitária do evento, que é privado. Nessa segunda (7/6), a Comissão Temporária da Covid-19 do Senado Federal aprovou requerimento ao ministro cobrando estudos técnicos sobre a realização do torneio em solo nacional, além da avaliação dos protocolos adotados pelos organizadores do torneio.
O chefe da pasta volta ao plenário da CPI após a maioria do colegiado entender que o primeiro depoimento foi “pouco esclarecedor” e que o ministro foi “evasivo” nas respostas aos senadores.
Desta vez, os parlamentares estarão municiados com conteúdos ditos em outras oitivas e de documentos já entregues à comissão. Um depoimento importante que servirá de base para os opositores ao governo é o da infectologista Luana Araújo, que, convidada por Queiroga, ficou nove dias no ministério e foi demitida antes mesmo de ser nomeada. A decisão da não nomeação da profissional teria cunho político.
Também recentemente, o relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), chamou o ministro da Saúde, que esteve ao lado do presidente Jair Bolsonaro no anúncio de confirmação do evento, de “omisso”. O emedebista enviou carta à Seleção brasileira com conteúdo contrário à realização do evento.
Ao Metrópoles, o senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou que vai cobrar do ministro informações sobre as medidas de enfrentamento adotadas pela pasta para controle da crise sanitária.
“A gente vai cobrar dele, principalmente, o compromisso que ele assumiu diante do Senado: pediu voto de confiança e disse que tinha autonomia para equipe dele. Queremos saber se ele foi consultado ou não [sobre a realização do evento no Brasil], e, se foi, o que disse”, disse.
Já o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), afirma que quer compreender essa autonomia que o ministro diz ter na pasta. “Essa autonomia foi provada que ele não tem quando ele não conseguiu nomear a doutora Luana”, disse. “Como ele mantém Mayra [Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e Educação] dentro do ministério, se discorda do encaminhamento da imunização de rebanho e tratamento precoce que ela defende?”, emendou.
Os senadores também querem saber as orientações da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) em relação ao uso de medicamentos sem comprovação de eficácia para o tratamento da Covid-19, como a cloroquina. No primeiro depoimento à CPI, em 6 de maio, Queiroga disse que a comissão preparava um protocolo sobre o assunto — que ainda não foi divulgado.