Careca do INSS usava nome de Lulinha em negócios

Ex-funcionário revela estratégia de Careca do INSS em reuniões.

Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, é acusado de usar o nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em negociações comerciais. Um ex-funcionário relatou ao portal Metrópoles que o lobista mencionava Lulinha para fechar acordos com parceiros e fornecedores, conforme foi divulgado em 3 de outubro.

A testemunha revelou que Careca costumava referir-se a Lulinha como “o filho do rapaz”, fazendo um gesto característico com quatro dedos ao mencionar o nome. Esse comportamento teria sido observado durante reuniões com parceiros comerciais e membros da diretoria.

Em seu depoimento, o ex-funcionário afirmou que Careca alegava pagar uma mesada de R$ 300 mil a Lulinha, vinculada a projetos como o Projeto Amazônia e o Projeto Teste de Dengue. Além disso, mencionou um adiantamento de 25 milhões ao filho do presidente, sem especificar a moeda. Os encontros entre Careca e Lulinha teriam ocorrido em São Paulo e no Distrito Federal.

Investigação da Polícia Federal

A Polícia Federal (PF) está investigando a possível participação de Lulinha como sócio oculto de Careca em empreendimentos da área de saúde. Um dos projetos incluía o fornecimento de cannabis ao Ministério da Saúde. Além disso, mensagens interceptadas revelaram transferências de R$ 1,5 milhão para Roberta Luchsinger, que teria ligação com Lulinha.

A PF apurou que Luchsinger, tida como parte do núcleo político do esquema, continuou em contato com Careca mesmo após as investigações serem iniciadas. Ela teria alertado o lobista sobre a apreensão de documentos comprometedores.

Em outro episódio, foi investigada a entrega de um "medicamento" ao apartamento de Lulinha em São Paulo, registrada em dezembro de 2024 e feita em nome de Renata Moreira, esposa de Lulinha. Na ocasião, Lulinha negou qualquer envolvimento com Careca ou conhecimento do caso.

As investigações indicaram que Luchsinger teria colaborado com Careca dentro do Ministério da Saúde. Registros obtidos pela Lei de Acesso à Informação mostraram que o lobista visitou o ministério cinco vezes, identificando-se como diretor de uma empresa de telemedicina e posteriormente como presidente da World Cannabis.

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