Ex-ministro britânico casado com brasileiro renúncia por vínculos com Epstein
Polícia apura repasse de dados sensíveis; governo avalia causar título de lorde
O ex-ministro trabalhista britânico Peter Mandelson anunciou nesta terça-feira (3) a renúncia ao cargo vitalício na Câmara dos Lordes, em meio à abertura de uma investigação da Polícia Metropolitana de Londres. O caso envolve a suspeita de que ele tenha compartilhado informações confidenciais do governo do Reino Unido com o magnata americano Jeffrey Epstein, morto em 2019 e condenado por crimes sexuais.
As apurações ganharam força após a divulgação de novos documentos do caso Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Os arquivos indicam que, durante a crise financeira de 2008, Mandelson — então secretário de Negócios no governo de Gordon Brown — teria repassado a Epstein análises internas sobre políticas econômicas, planos de venda de ativos, discussões sobre crédito empresarial e informações antecipadas sobre medidas de resgate financeiro, além de contatos ligados à taxação de bônus bancários.
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Segundo o gabinete do governo britânico, o material continha dados “provavelmente sensíveis ao mercado” e o episódio pode ter violado protocolos de segurança. Diante disso, o caso foi encaminhado à polícia, que confirmou a investigação por suspeita de “má conduta em cargo público”.
O escândalo também envolve o brasileiro Reinaldo Avila da Silva, marido de Mandelson. Documentos apontam que Epstein financiou, em 2009, um curso de osteopatia de Avila, no valor aproximado de 10 mil libras. Há ainda registros de depósitos de US$ 75 mil feitos por Epstein a Mandelson entre 2003 e 2004. O ex-ministro classificou o recebimento do apoio financeiro como um “erro de julgamento”, negou que tenha sido suborno e afirmou não se lembrar de alguns dos pagamentos citados.
Com a repercussão do caso, o presidente da Câmara dos Lordes, barão Michael Forsyth, confirmou que a renúncia de Mandelson passa a valer a partir desta quarta-feira (4). O primeiro-ministro Keir Starmer informou que iniciou o processo para retirar o título de “lorde” do ex-ministro — uma medida rara na política britânica — e determinou a elaboração de um relatório jurídico para acelerar a decisão.
Além do impacto no Reino Unido, o episódio repercutiu na União Europeia. A Comissão Europeia anunciou que irá analisar se Mandelson violou normas de conduta durante o período em que atuou como comissário europeu de Comércio, entre 2004 e 2008.
Fonte: DW