Fim de tratado nuclear entre EUA e Rússia eleva tensão global

Expiração do New START pode abrir caminho para nova corrida armamentista.

Por Redação,

O prazo para renovação do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (New START), acordo que limita os arsenais nucleares de Estados Unidos e Rússia desde a Guerra Fria, expira nesta quarta-feira (4) sem sinais claros de renovação. A possibilidade de o tratado deixar de valer tem gerado preocupação entre diplomatas, cientistas e lideranças religiosas sobre o risco de uma nova corrida nuclear entre as duas maiores potências atômicas do mundo.

Foto: Jim Lo Scalzo/dpa/picture allianceCorrida nuclear
Arsenal nuclear

O New START, assinado em 2010, estabelece limites de até 1.550 ogivas nucleares estratégicas e 800 sistemas de lançamento para cada país. Além disso, prevê mecanismos de transparência, como inspeções e troca de dados, com o objetivo de reduzir o risco de erros de cálculo ou escaladas militares acidentais.

Mesmo com o tratado em vigor, EUA e Rússia mantêm estoques totais superiores a 5 mil ogivas cada — número que inclui armamentos desativados ou armazenados. A China aparece em seguida, com cerca de 600 ogivas. O crescimento do arsenal chinês tem sido citado pelo presidente americano Donald Trump como um dos motivos para buscar um novo acordo que inclua Pequim — proposta rejeitada pelo governo chinês, que afirma não ter capacidade nuclear comparável à das duas potências.

Do lado russo, o vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, afirmou que o país está preparado para um cenário sem limites nucleares, após não haver resposta concreta à proposta de Moscou de estender o tratado por mais um ano. Segundo ele, a ausência de acordo marca uma nova fase nas relações estratégicas entre os países.

O Papa Leão 14 também se manifestou, pedindo que as potências não abandonem o tratado e evitem uma nova escalada armamentista. Para ele, a situação atual exige esforços para preservar a paz internacional.

Especialistas alertam que o fim do New START pode permitir que os dois países ampliem rapidamente seus arsenais. Matt Korda, da Federação de Cientistas Americanos, afirma que, sem restrições, cada lado poderia adicionar centenas de ogivas a seus sistemas militares. Já Daryl Kimball, da Associação de Controle de Armas, avalia que isso pode enfraquecer o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que busca impedir a disseminação de armas nucleares e incentivar o desarmamento gradual.

O sistema de inspeções previsto no New START já vinha enfrentando dificuldades. As vistorias foram suspensas durante a pandemia de covid-19 e, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, os dois países interromperam a troca de dados prevista no acordo.

Na Europa, o cenário reacendeu discussões sobre segurança nuclear. Lideranças europeias admitem avaliar formas de cooperação estratégica diante das tensões atuais, enquanto organizações como a Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (ICAN) classificam o momento como preocupante para a estabilidade global.

Criados ao longo de décadas, os tratados de controle nuclear ajudaram a reduzir drasticamente o número de ogivas no mundo — de cerca de 70 mil, em 1986, para aproximadamente 12 mil atualmente. Sem a renovação do New START, especialistas temem que esse processo de redução seja interrompido, ampliando os riscos em um cenário internacional já marcado por tensões geopolíticas.

Fonte: DW

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