Congresso mantém parados projetos contra supersalários

Textos tratam de pagamentos acima do teto do funcionalismo.

Por Viviane Setragni,

Dois projetos de lei que tratam da limitação de pagamentos acima do teto constitucional a servidores públicos — conhecidos como “supersalários” — permanecem sem avanço no Congresso Nacional, mesmo após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino que suspendeu o pagamento de penduricalhos considerados irregulares.

Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputadosok

O principal deles é o Projeto de Lei (PL) 2721/2021, chamado de “PL dos supersalários”. A proposta começou a tramitar no Senado ainda em 2016, passou pela Câmara dos Deputados e retornou ao Senado, onde aguarda, desde novembro de 2023, relatório do senador Eduardo Gomes (PL-TO). O objetivo do texto é regulamentar quais verbas podem ultrapassar o teto salarial do funcionalismo público.

Nos últimos anos, o projeto foi incluído entre as prioridades econômicas do governo federal, segundo os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento), com a justificativa de contribuir para o controle de gastos públicos. Durante a tramitação, no entanto, a proposta recebeu diversas emendas que ampliaram exceções ao teto, o que, segundo críticos, pode manter pagamentos acima do limite constitucional.

Paralelamente, um grupo de deputados liderado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP) apresentou, em julho de 2025, outro projeto com finalidade semelhante. O texto busca definir de forma mais objetiva o que pode ser classificado como verba indenizatória — valores pagos para ressarcir despesas do servidor — e o que não pode entrar nessa categoria. A distinção é relevante porque verbas indenizatórias não se submetem ao teto salarial.

Especialistas apontam que a classificação de determinados pagamentos como indenizatórios tem sido uma das principais formas de viabilizar remunerações acima do teto. A proposta liderada por Tabata Amaral tenta restringir essa prática, aproximando-se, segundo defensores, do entendimento expresso na decisão do STF.

Apesar disso, o projeto foi apensado a outra proposta e não avançou na Câmara dos Deputados. Até o momento, não há previsão de votação de nenhum dos dois textos.

Procurados, os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não se manifestaram sobre o andamento das propostas.

Fonte: CNN

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