Abin alerta para risco de pressão dos EUA nas eleições no Brasil
Relatório reservado foi enviado ao governo, ao TSE e ao Ministério da Justiça
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elevou para um nível considerado “crítico” a avaliação sobre o risco de influência e interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. A avaliação consta em um relatório reservado sobre ameaças ao processo eleitoral, encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça.
O documento analisa medidas e posicionamentos do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e aponta uma tendência de aumento da pressão norte-americana sobre o Brasil. De acordo com a avaliação atribuída à Abin, a atuação dos Estados Unidos na América Latina estaria relacionada a uma estratégia de redução da influência de países considerados rivais e de ampliação do controle ou acesso a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas da região.
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Entre os episódios analisados pela agência está a adoção de sanções pelo governo norte-americano e seus possíveis efeitos sobre relações financeiras, empresas brasileiras e operações internacionais. O relatório também considera que a pressão externa pode ocorrer de maneira gradual e combinada, envolvendo instrumentos econômicos, diplomáticos e políticos. A avaliação, porém, trata de risco e possibilidade de influência e não apresenta, por si só, comprovação de manipulação das urnas ou de alteração de resultados eleitorais.
A segurança do processo eleitoral já aparece entre os desafios estratégicos analisados publicamente pela própria Abin para 2026. Em documento divulgado pela agência, o órgão aponta, entre outros riscos, a possibilidade de interferência externa voltada a desestabilizar o processo eleitoral e favorecer interesses geopolíticos estrangeiros. A Abin é vinculada à Presidência da República e tem como atribuição produzir informações e análises estratégicas para auxiliar autoridades na identificação de ameaças à segurança do Estado e da sociedade.
Fonte: Correio Braziliense