Tarifaço entra em vigor sem plano emergencial do governo para empresas afetadas

Setores exportadores reclamam de demora; Haddad diz que proposta vai ao Planalto hoje

Por Dominic Ferreira,

A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros começou a valer nesta quarta-feira (6), sem que o governo federal apresentasse um plano emergencial de apoio às empresas exportadoras afetadas. A ausência de medidas concretas gerou insatisfação entre empresários, especialmente após reunião com ministros na última segunda-feira (4), na qual esperavam respostas mais imediatas. Atualmente, cerca de 35,9% das exportações brasileiras estão sujeitas às novas taxas, o que inviabiliza as vendas em diversos setores.

Foto: Reprodução | Marcelo Camargo | Agência BrasilMinistério da Fazenda
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Um dos segmentos mais preocupados é o da pesca. Segundo Eduardo Lobo, presidente da Abipesca, além da ausência de prazos para medidas emergenciais, as soluções sugeridas até agora só surtiriam efeito a médio ou longo prazo. Representantes da indústria afirmam que houve avanço nas negociações diplomáticas, mas avaliam que uma possível ampliação das isenções tarifárias ou revisão da alíquota não ocorrerá em curto prazo — motivo pelo qual aumentam a pressão por ações imediatas.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta manhã que o texto do plano de socorro “está pronto” e será encaminhado ainda hoje ao Palácio do Planalto. Segundo ele, a proposta inclui concessão de crédito às empresas impactadas, ampliação das compras governamentais e poderá ser viabilizada por meio de medida provisória. A aprovação final depende do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve definir o que será efetivamente implementado.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) já apresentou ao governo uma lista com oito propostas. Entre elas estão o adiamento de tributos federais por 120 dias, criação de linha de crédito com juros entre 1% e 4% ao ano via BNDES, flexibilização nos prazos dos adiantamentos de contrato de câmbio (ACCs) e ampliação do regime Reintegra para todas as empresas afetadas. Enquanto isso, a incerteza segue causando apreensão entre os exportadores, que aguardam uma resposta concreta do governo para mitigar os prejuízos.

Fonte: CNN Brasil

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