Caso Master provoca queda nas negociações no mercado de carbono

Análise aponta fragilidades nas normas que regulamentam ativos ambientais

Por Dominic Ferreira,

O caso do Banco Master, investigado por inflar cerca de R$ 45 bilhões em ativos ligados a “estoques de carbono” sem reconhecimento formal, passou a afetar o mercado brasileiro de créditos ambientais e levantou preocupações entre especialistas. A liquidação da instituição pelo Banco Central e as apurações da Polícia Federal indicam uso de ativos de difícil verificação para estruturar fundos e operações financeiras, o que compromete a credibilidade do setor. 

Foto: Ralf Vetterle/Pixabay/Agência BrasilOk

Os chamados “estoques de carbono”, base das operações investigadas, diferem dos créditos aceitos internacionalmente, pois representam apenas estimativas de carbono presente em áreas específicas, sem comprovação de redução real de emissões. Especialistas apontam que a precificação bilionária desses ativos, sem certificação ou metodologia reconhecida, pode elevar o risco percebido por investidores e contaminar a confiança na infraestrutura do mercado ambiental brasileiro. 

O episódio ocorre em um momento decisivo para o país, que avança na implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), criado em 2024 para formalizar o mercado e dar segurança jurídica às negociações de carbono. Com regulamentação prevista até 2030, o caso evidencia lacunas regulatórias e o descompasso entre a circulação de ativos ambientais e a existência de regras claras para registro, rastreabilidade e verificação. 

Investigações também apontam possíveis falhas de governança, riscos jurídicos e aumento da litigiosidade em contratos baseados em ativos sem lastro técnico reconhecido. Especialistas avaliam que o impacto imediato pode ser a redução da fluidez das operações e maior cautela de investidores, mas destacam que o fortalecimento da regulação e da fiscalização pode transformar o episódio em ponto de inflexão para consolidar o mercado de carbono no Brasil. 

Fonte: Correio Braziliense

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