Governo eleva imposto de importação sobre smartphones e máquinas
Medida atinge mais de mil itens, opõe indústria e importadores e pode pressionar preços
O governo federal aumentou o imposto de importação sobre mais de mil produtos, incluindo smartphones, máquinas e equipamentos, em uma tentativa de conter o avanço de bens estrangeiros e proteger a indústria nacional. A elevação pode chegar a 7,2 pontos percentuais e já provoca reação de empresas que dependem desses insumos, que apontam risco à competitividade e impacto inflacionário.
Segundo o Ministério da Fazenda, as compras externas desses segmentos cresceram 33,4% desde 2022 e passaram a representar mais de 45% do consumo interno, nível considerado pelo governo como ameaça à cadeia produtiva e ao desenvolvimento tecnológico do país.
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A pasta avalia que a medida é “moderada e focalizada” e busca reequilibrar preços relativos, mitigar a concorrência considerada assimétrica e reduzir a vulnerabilidade externa do setor. O governo também argumenta que o uso de tarifas para proteger segmentos industriais tem sido adotado por outras economias diante de choques externos e práticas de dumping.
Em 2024, os principais fornecedores desses produtos ao Brasil foram os Estados Unidos, com 34,7% das importações, seguidos por China, Singapura e França.
Apesar da alta tarifária, o governo abriu prazo até 31 de março para que empresas solicitem redução temporária da alíquota a zero para itens que já tinham o benefício, com concessão provisória por até 120 dias.
Importadores e representantes do setor produtivo afirmam que a medida encarece investimentos em modernização, já que parte significativa do parque industrial brasileiro opera com equipamentos antigos e depende de tecnologia externa. Para essas empresas, o aumento do custo de máquinas e componentes pode comprometer projetos, reduzir produtividade e afetar a inserção do país nas cadeias globais.
O movimento ocorre em meio ao debate internacional sobre protecionismo comercial. No mesmo dia do anúncio, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou parte do aumento tarifário amplo imposto pelo presidente Donald Trump sobre parceiros comerciais, conhecido como “tarifaço”.
Estudo do Centro de Debate de Políticas Públicas indica que, embora o grau de abertura comercial brasileiro tenha avançado nos últimos anos, o país ainda mantém uma economia relativamente mais fechada que a de outras nações em desenvolvimento comparáveis.
Fonte: Com informações do G1