Petróleo dispara e dólar sobe após ofensiva contra o Irã
Risco no Estreito de Ormuz eleva preços, impulsiona Petrobras e acende alerta para inflação
A escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã provocou forte reação nos mercados globais, com disparada do petróleo e alta do dólar. A tensão no Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% da produção mundial de óleo e gás — elevou o temor de interrupções no abastecimento e pressionou ativos no Brasil e no exterior.
O barril do tipo Brent, referência internacional, chegou a ser negociado perto de US$ 79 em Londres, com avanço de cerca de 7,6%, após ter superado a marca de US$ 80 ao longo do dia. Já o WTI, cotado em Nova York, subiu aproximadamente 6%, refletindo a percepção de risco na principal rota de escoamento de petróleo do Golfo.
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Analistas atribuem a alta à possibilidade de bloqueio do Estreito de Ormuz, corredor marítimo que concentra o transporte da produção de grandes exportadores como Arábia Saudita, Iraque e o próprio Irã. Relatos de embarcações impedidas de cruzar a região reforçaram a volatilidade das cotações.
No Brasil, a valorização da commodity impulsionou as ações da Petrobras, que subiram 3,9% na B3, acompanhando o movimento internacional.
Apesar de a Opep+ ter anunciado aumento da produção para compensar eventuais perdas de oferta, especialistas apontam que o principal risco não está na capacidade produtiva, mas na logística de transporte. Um fechamento prolongado do estreito pode desorganizar cadeias globais e encarecer derivados importados pelo Brasil, mesmo com o país sendo exportador de petróleo bruto.
O choque nos preços da energia também reacende preocupações inflacionárias. Caso o conflito se prolongue, economistas veem possibilidade de repasse ao consumidor e impacto na política monetária, com redução do ritmo esperado de cortes na taxa básica de juros pelo Banco Central do Brasil. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano.
No câmbio, o dólar interrompeu a sequência de quedas das últimas semanas e voltou a se aproximar de R$ 5,20, em movimento típico de aversão ao risco, quando investidores migram de mercados emergentes para ativos considerados mais seguros. A moeda norte-americana, no entanto, deve oscilar sem tendência de valorização abrupta, diante das incertezas geopolíticas envolvendo o governo de Donald Trump.
A continuidade do conflito e a normalização — ou não — do tráfego no Estreito de Ormuz devem ditar o comportamento dos preços nas próximas semanas, com efeitos diretos sobre inflação, juros e crescimento econômico.
Fonte: Com informações da Agência Brasil