Mercado fica em alerta após fechamento de Estreito de Ormuz

Petrobras diz ter rotas alternativas e sem risco imediato

Por Viviane Setragni,

O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo no mundo, após a escalada do confronto com Estados Unidos e Israel. A Guarda Revolucionária iraniana declarou que qualquer navio que tentar atravessar a região será atacado.

Foto: Giuseppe Cacace/AFPok

O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao mar aberto e é considerado estratégico para o comércio global, especialmente para o fluxo de petróleo e gás natural. Estima-se que cerca de 20% do petróleo consumido no mundo passe pela região.

O brigadeiro-general Ebrahim Jabbari afirmou que embarcações que tentarem cruzar o estreito poderão ser incendiadas e que o país também poderá atacar oleodutos. Segundo ele, os preços do petróleo poderiam alcançar US$ 200 nos próximos dias.

A declaração ocorre após os Estados Unidos sinalizarem que devem ampliar o envolvimento militar no conflito. O presidente Donald Trump afirmou que uma nova onda de ataques contra Teerã estaria sendo preparada.

Antes mesmo do anúncio oficial do fechamento, o petróleo tipo Brent registrava forte alta. No pico do dia, o barril chegou a subir mais de 13%, atingindo US$ 82. Ao final do pregão, fechou a US$ 77,74, com alta de 6,68%.

Analistas avaliam que, diante da tensão, os preços podem oscilar entre US$ 80 e US$ 100 por barril no curto prazo. O aumento no custo da energia tende a impactar cadeias produtivas e pressionar a inflação em diversos países.

No Brasil, o dólar encerrou o dia cotado a R$ 5,164, alta de 0,6%, interrompendo uma sequência de quedas. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou praticamente estável, com leve alta de 0,28%, aos 189.307 pontos.

Segundo especialistas, em momentos de conflito internacional investidores costumam buscar ativos considerados mais seguros, como o dólar, o que pressiona moedas de países emergentes.

A Petrobras informou que possui rotas alternativas para suas operações e que a maior parte das importações ocorre fora da área de conflito. A estatal afirmou que não há risco imediato de interrupção nas exportações ou importações.

Economistas alertam que um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz pode elevar custos logísticos e energéticos no mundo todo. O encarecimento do transporte e do petróleo pode resultar em aumento de preços ao consumidor e pressionar a inflação.

No Brasil, isso poderia influenciar as decisões do Banco Central sobre juros, especialmente em um momento em que havia expectativa de redução das taxas.

Especialistas destacam que a duração do conflito será determinante para medir os efeitos econômicos. Se a crise for breve, os impactos tendem a ser temporários. Caso contrário, o cenário pode trazer reflexos mais amplos e duradouros para a economia global e brasileira.

Fonte: Correio Braziliense

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