Mais de 3 mil mulheres impulsionam produção de mel no Piauí
Apicultura cresce no estado e fortalece renda feminina, com destaque para São Raimundo Nonato
A presença feminina na apicultura tem ganhado força no Piauí e já envolve mais de 3 mil mulheres diretamente na produção de mel. A atividade se consolidou como fonte de renda e autonomia econômica para trabalhadoras rurais, especialmente na região de São Raimundo Nonato.
Segundo a Secretaria de Estado da Agricultura Familiar (SAF), a participação das mulheres na cadeia produtiva do mel tem crescido de forma significativa no estado. De acordo com o diretor de Projetos para o Semiárido da pasta, Francisco das Chagas Ribeiro, conhecido como Chicão, milhares de produtoras já atuam diretamente na atividade apícola.
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Na localidade Estação Serra Branca, na zona rural de São Raimundo Nonato, a apicultora Ludmila de Araújo Galvão trabalha com a criação de abelhas há seis anos. Para ela, a atividade representa mais do que renda: é também um símbolo de independência financeira.
Integrante da cooperativa Mel do Sertão, Ludmila mantém suas próprias colmeias e produz cerca de 1.500 quilos de mel por ano. Toda a produção é comercializada. O valor pago pelo produto varia conforme a safra e as condições do mercado, mas gira em torno de R$ 9 por quilo, o que resulta em uma renda aproximada de R$ 14 mil por temporada.
A apicultora explica que a produção depende diretamente das condições climáticas, especialmente do regime de chuvas, que influencia a florada necessária para a atividade. Neste ano, as precipitações irregulares registradas até fevereiro afetaram parte da produção, mas as chuvas acima da média no fim de fevereiro e início de março melhoraram as perspectivas para os próximos meses.
Entre os principais desafios da apicultura no estado, Ludmila aponta a dependência climática e a necessidade de maior apoio institucional. Segundo ela, a ampliação da assistência técnica, do acesso ao crédito e de políticas de incentivo à comercialização poderia fortalecer ainda mais o setor.
Outra integrante da cooperativa, Cristina Ribeiro Miranda iniciou contato com a apicultura em 2003 ao lado do pai e passou a atuar diretamente na atividade há seis anos. Além da produção de mel, ela mantém atividades ligadas à agricultura familiar e à criação de ovinos e suínos.
Em 2025, Cristina produziu cerca de uma tonelada de mel, totalmente vendida, o que gerou renda aproximada de R$ 13 mil. Para ela, a atividade tem importância econômica e ambiental, já que a apicultura contribui para a conservação dos ecossistemas.
Na mesma região, a empresária Niele Ferreira também encontrou na apicultura uma fonte complementar de renda. Há oito anos no setor, ela mantém 50 colmeias e produz cerca de 600 quilos de mel por ano, o que resulta em receita anual próxima de R$ 10 mil.
Segundo Niele, há planos de ampliar a produção nos próximos anos. Para ela, a atividade reúne geração de renda e preservação ambiental, ao mesmo tempo em que reforça o papel das mulheres no desenvolvimento da economia rural.
Fonte: Governo do Piauí