Com a SELIC em 15%, vale a pena investir em prefixado ou pós-fixado?

Em um cenário de juros altos, é preciso avaliar se é mais vantajoso investir em títulos prefixados ou pós-fixados

Por Redação Portal AZ,

Os títulos de renda fixa são muito versáteis e permitem investir em ativos com diferentes formas de remuneração, oferecendo opções que se adaptam tanto a cenários de juros estáveis quanto de volatilidade. 

Foto: Reprodução/Internetok

A escolha entre um título do Tesouro Prefixado e um título pós-fixado está geralmente associada à expectativa do investidor sobre o movimento futuro da taxa Selic e da inflação, ainda que também envolva riscos como a marcação a mercado (MaM), a perda de poder de compra caso o juro real seja baixo e o custo de oportunidade. 

Neste artigo, mostraremos as características de cada indexador visando ajudar os investidores a avaliar qual modalidade se encaixa melhor em seu horizonte de tempo, seu perfil e seus objetivos financeiros. 

Apesar de informativo, este conteúdo não é uma recomendação de investimento.

Títulos prefixados e pós-fixados: como funcionam?

Tanto os títulos prefixados quanto os pós-fixados são títulos de renda fixa que diferem basicamente na forma como sua rentabilidade é calculada. 

Os títulos prefixados têm sua remuneração baseada em uma taxa fixa, definida no momento da compra do título. Isso significa que, ao manter o título até o vencimento, o investidor sabe exatamente quanto receberá. 

Os títulos pós-fixados, por sua vez, têm sua rentabilidade atrelada a algum indicador de mercado, como a Selic, o CDI ou o IPCA. Assim, se o índice de referência subir, eles rendem mais, e se cair, rendem menos. Como esses títulos dependem do desempenho do indicador-base, o investidor não sabe de antemão quanto receberá no vencimento. 

Pós-fixado: segurança e acompanhamento da taxa Selic

Os títulos pós-fixados, como dito, acompanham a performance de algum índice de mercado. No caso do Tesouro Selic, por exemplo, a rentabilidade está indexada ao desempenho da taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira. 

Dessa forma, se os juros se elevam, o investimento rende mais, ao passo que, se eles caem, o investimento rende menos. 

Uma das características mais marcantes desse tipo de título é a segurança. Inclusive, o Tesouro Selic é considerado o investimento mais seguro do Brasil porque o emissor é o próprio Governo Federal, com garantia integral do Tesouro Nacional. 

Além disso, ele tem liquidez diária com recompra assegurada pelo Tesouro, o que praticamente elimina o risco de não conseguir resgatar o dinheiro em condições normais de mercado.

Prefixado: previsibilidade e rentabilidade travada no aporte 

O Tesouro Prefixado é indicado principalmente para investidores que priorizam a previsibilidade, uma vez que a rentabilidade é conhecida logo no momento da compra do título. 

O motivo de ele oferecer previsibilidade total é o fato de travar uma taxa de juros fixa no momento do aporte, permitindo que o investidor saiba exatamente quanto receberá no vencimento, independentemente de variações na Selic ou na inflação no futuro. 

É um investimento ideal se o investidor tem um prazo definido e se há previsão de uma queda da Selic no horizonte, contudo, não é tão interessante para quem precisa de liquidez imediata. 

Impacto da Selic no prêmio de risco da renda fixa

A taxa Selic define o piso de rentabilidade para todos os investimentos de renda fixa, e o prêmio de risco é calculado sobre ela em títulos privados como CDBs, LCIs e debêntures. 

Em alguns cenários, a elevação da Selic pode reduzir a necessidade de prêmios elevados em títulos privados, pois o risco relativo diminui e investidores migram para opções mais seguras, reduzindo a necessidade de spreads altos para atrair capital. 

E o contrário também ocorre: a Selic baixa aumenta o prêmio de risco, já que títulos privados precisam oferecer mais para compensar o menor piso da Selic.

Riscos de cada modalidade (marcação a mercado vs. variação do CDI)

O Tesouro Prefixado tem como risco principal o de marcação a mercado, em que o preço do título oscila com as expectativas de juros: se a Selic sobe, o título comprado com taxa menor perde valor se for vendido antes do vencimento, podendo gerar prejuízo nominal. 

Já o Tesouro Selic (pós-fixado) varia minimamente com o CDI/Selic, com oscilações diárias pequenas, priorizando liquidez sem perdas significativas. 

Na prática, o principal risco do Tesouro Selic é o risco soberano, ou seja, a possibilidade remota de o governo federal brasileiro não honrar o pagamento da dívida pública, embora isso seja considerado praticamente nulo devido à capacidade do governo de emitir moeda e arrecadar impostos.

Ambos eliminam risco de crédito, pois contam com a garantia do Tesouro Nacional, mas o prefixado deve ser mantido até o fim para que a rentabilidade fique travada.

O que avaliar na economia antes de escolher entre os dois indexadores?

Para escolher entre títulos prefixados e pós-fixados, é importante avaliar objetivamente os seguintes indicadores econômicos:

  • Expectativa de elevação ou queda da Selic;
  • Inflação (IPCA);
  • Curva de juros (mercado futuro).

Nesse sentido, é interessante monitorar de perto o Relatório Focus/Bacen para fazer projeções. Nesse âmbito, o investidor pode escolher o prefixado no caso de otimismo (queda de juros ou da inflação) ou Selic para defesa, em momentos de incerteza.

Fonte: Portal AZ

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