Inflação dos alimentos expõe problema estrutural no Brasil

Estudo mostra que comida subiu 62% acima da inflação oficial em quase 20 anos

Por Dominic Ferreira,

Um estudo divulgado pela ACT Promoção da Saúde, em parceria com a Agência Bori, aponta que a inflação dos alimentos no Brasil tem causas estruturais e não apenas fatores sazonais ou conjunturais. A pesquisa foi elaborada pelo economista Valter Palmieri Junior, doutor em desenvolvimento econômico pela Universidade Estadual de Campinas, e destaca que o fenômeno exige mudanças profundas no modelo econômico para ser enfrentado.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasilok

De acordo com o levantamento, entre junho de 2006 e dezembro de 2025, o custo da alimentação subiu 302,6%, enquanto a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, foi de 186,6%. Isso significa que os preços dos alimentos aumentaram cerca de 62% acima da inflação geral no período. Entre os itens com maiores altas estão frutas, com aumento de 516,2%, carnes (483,5%) e tubérculos, raízes e legumes (359,5%).

O estudo também revela que os alimentos in natura ficaram proporcionalmente mais caros do que os produtos ultraprocessados, o que tem impactado diretamente o poder de compra dos brasileiros e influenciado mudanças nos hábitos alimentares. Segundo o pesquisador, com a mesma proporção de renda, hoje é possível comprar mais alimentos industrializados e menos produtos frescos, o que pode comprometer a qualidade da alimentação.

Entre os fatores apontados para o encarecimento estão o modelo agroexportador brasileiro, o aumento dos custos de insumos agrícolas e a concentração da cadeia produtiva em grandes empresas. O estudo também sugere medidas como o fortalecimento do abastecimento interno, incentivo à produção local, ampliação do acesso à terra e o reforço de políticas públicas por meio de órgãos como a Companhia Nacional de Abastecimento para reduzir os impactos da inflação e garantir maior segurança alimentar à população. 

Fonte: Agência Brasil

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