Alta do combustível pode elevar passagens aéreas em até 20%

Reajuste do querosene pressiona custos e pode reduzir demanda

Por Viviane Setragni,

O aumento no preço do querosene de aviação anunciado pela Petrobras pode provocar alta de até 20% nas passagens aéreas no Brasil, segundo especialistas do setor. O reajuste superior a 50% no combustível, válido a partir de abril, impacta diretamente os custos das companhias aéreas.

Foto: Ascom/Felipe CarneiroOk

De acordo com analistas, o querosene de aviação representa uma parcela significativa das despesas operacionais das empresas, podendo chegar a cerca de 45% do total. Com isso, o encarecimento do insumo tende a pressionar os preços finais ao consumidor.

Especialistas afirmam que o repasse desse aumento pode ocorrer de forma gradual, dependendo de fatores como a demanda por voos e a taxa de ocupação das aeronaves. Em alguns casos, companhias podem optar por reduzir rotas menos rentáveis para equilibrar as contas.

A alta do combustível está ligada ao aumento do preço do petróleo no mercado internacional, impulsionado pela instabilidade no Oriente Médio, especialmente pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Desde o início da crise, o valor do barril subiu de cerca de 70 dólares para patamares superiores a 100 dólares.

Projeções indicam que o impacto médio nas tarifas deve ficar entre 10% e 20%, com estimativa mais provável em torno de 15%. Com isso, a demanda por viagens também pode recuar, já que o setor aéreo é sensível a variações de preço, principalmente em viagens de lazer.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas alertou para possíveis consequências negativas, como redução na oferta de voos e impacto na conectividade do país. Segundo a entidade, o aumento do combustível pode dificultar a abertura de novas rotas e limitar o acesso ao transporte aéreo.

Para amenizar os efeitos, a Petrobras anunciou que parte do reajuste será parcelada para as distribuidoras ao longo dos próximos meses. Além disso, o governo federal avalia medidas para reduzir a pressão sobre o setor, como corte temporário de tributos e criação de linhas de crédito específicas.

Fonte: G1

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