Com arrecadação em alta, taxa das blusinhas vira impasse político
Alta na receita contrasta com discussão sobre revogação em ano eleitoral e divide governo e setores econômicos
A arrecadação federal com o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50 — conhecido como “taxa das blusinhas” — cresceu 25% em janeiro na comparação anual, reforçando o caixa do governo e intensificando o debate político sobre a manutenção da medida.
Criada para reduzir a competitividade de produtos estrangeiros frente à indústria nacional, a cobrança de 20% passou a incidir sobre encomendas que antes eram isentas. Mesmo com a mudança, o consumo de itens importados se manteve aquecido, e a medida gerou cerca de R$ 5 bilhões em arrecadação ao longo de 2025.
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O tema, no entanto, ganhou novo fôlego no Congresso. A Câmara dos Deputados do Brasil analisa propostas que preveem a revogação da taxa, enquanto integrantes do governo avaliam os efeitos políticos da cobrança sobre a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em ano eleitoral.
Dentro do Executivo, há posições divergentes. O vice-presidente Geraldo Alckmin defende a manutenção da tarifa como forma de equilibrar a concorrência com produtos nacionais, destacando impactos positivos sobre emprego e renda.
Representantes da indústria têxtil seguem a mesma linha, argumentando que a medida contribuiu para fortalecer a competitividade interna sem comprometer o volume de negócios.
Por outro lado, entidades ligadas ao comércio eletrônico afirmam que o custo adicional recai principalmente sobre consumidores de menor renda, reduzindo o acesso a produtos de baixo valor muitas vezes indisponíveis no mercado brasileiro.
Especialistas avaliam que a decisão sobre manter ou revogar a taxa envolve um equilíbrio delicado entre arrecadação fiscal, estímulo ao consumo e proteção à produção nacional — um cálculo que tende a ganhar peso político com a proximidade das eleições.
Fonte: SBT News