Pressão nos combustíveis coloca governo contra o tempo por subsídio
Impasse com estados e alta do petróleo travam solução para conter preços
A disparada no preço do diesel no Brasil elevou a pressão sobre o governo federal, que tenta fechar um acordo com estados e distribuidoras para viabilizar um subsídio ao combustível. A medida é tratada como urgente diante do impacto direto sobre o transporte e a inflação.
Os preços dos combustíveis encerraram março em forte alta, com destaque para o diesel, que atingiu o maior patamar médio desde 2022. Segundo levantamento com apoio da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, o diesel S-10 subiu 14% no mês, enquanto o diesel comum avançou 12,9%, com médias nacionais acima de R$ 7 por litro.
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A escalada foi impulsionada principalmente pela valorização do petróleo no mercado internacional, com o barril do tipo Brent superando os US$ 100 em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio. No Brasil, o reajuste promovido pela Petrobras em março acelerou o repasse ao consumidor.
Diante do cenário, a equipe econômica negocia um modelo de subvenção ao diesel importado, com desconto estimado em R$ 1,20 por litro. A proposta prevê divisão do custo entre União e estados, mas enfrenta resistência de governadores e incerteza sobre a adesão de grandes distribuidoras.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis já habilitou empresas para a primeira fase do programa, mas a ausência de companhias relevantes no setor levanta dúvidas sobre a efetividade da medida.
Especialistas avaliam que o subsídio pode aliviar pressões no curto prazo, mas tem alcance limitado diante de fatores estruturais, como o preço internacional do petróleo, o câmbio e a política de preços da Petrobras.
Com forte peso sobre o transporte de cargas e o custo de alimentos, o diesel segue como um dos principais vetores de pressão inflacionária, ampliando o desafio do governo em equilibrar contas públicas e conter a alta de preços.
Fonte: Correio Braziliense