Chuvas elevam preço do feijão e pressionam cesta básica no país
Levantamento do Dieese mostra alta em todas as capitais; impacto atinge itens essenciais
O excesso de chuvas nas principais regiões produtoras provocou alta no preço do feijão e contribuiu para o aumento da cesta básica nas 27 capitais brasileiras em março.
Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que o custo dos alimentos básicos subiu de forma generalizada no país. O feijão foi o principal destaque, com aumento em todas as cidades pesquisadas, influenciado por problemas na colheita e redução da área plantada.
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Além do grão, produtos como batata, tomate, carne bovina e leite também registraram alta, com impacto direto das chuvas sobre a produção. Em sentido oposto, o açúcar apresentou queda em 19 capitais, favorecido pelo aumento da oferta.
Entre as capitais, São Paulo lidera com a cesta mais cara, a R$ 883,94, enquanto Aracaju registra o menor valor, de R$ 598,45. As maiores elevações mensais ocorreram em Manaus (7,42%), Salvador (7,15%) e Recife (6,97%).
O levantamento aponta que o trabalhador que recebe salário mínimo precisou, em média, comprometer 48,12% da renda líquida para adquirir os itens básicos em março. O tempo médio de trabalho necessário para custear a cesta foi de 97 horas e 55 minutos, acima do registrado no mês anterior.
A alta do feijão está associada à restrição de oferta. Problemas climáticos em estados como Paraná e Bahia reduziram a produtividade, enquanto a menor área plantada e a expectativa de safra menor também contribuíram para pressionar os preços. Em algumas regiões, a produção caiu quase pela metade.
Atualmente, o feijão carioca chega a R$ 350 por saca, enquanto o feijão preto varia entre R$ 200 e R$ 210. A tendência, segundo analistas do setor, é de possível inversão de preços ao longo de 2026, com o feijão preto se tornando mais caro devido à menor oferta.
Apesar da estimativa da Conab de produção superior a 3 milhões de toneladas, com leve crescimento anual, o cenário ainda é de incerteza. Custos de insumos e combustíveis, além das condições climáticas, podem influenciar os preços nos próximos meses.
O estudo também calcula que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.425,99 em março, o equivalente a 4,58 vezes o valor vigente.
Fonte: Com informações da Agência Brasil