Inadimplência cresce além do renegociado e anula efeito do Desenrola
A cada R$ 1 renegociado no Desenrola, surgiu R$ 1,15 em novo calote
Dados do Banco Central indicam que o volume de novas dívidas em atraso já supera o montante renegociado pelo programa Desenrola Brasil, evidenciando a retomada da inadimplência entre famílias.
Lançado como estratégia para reduzir o endividamento, o Desenrola Brasil renegociou cerca de R$ 53,2 bilhões em dívidas de 14,8 milhões de pessoas. No entanto, menos de dois anos após o fim do programa, o estoque de inadimplência no sistema financeiro cresceu R$ 61 bilhões.
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Na prática, a cada R$ 1 renegociado, surgiram R$ 1,15 em novos débitos em atraso, segundo dados do Banco Central. O resultado indica que o alívio promovido pela iniciativa foi superado pelo avanço posterior das dívidas.
Atualmente, o volume de operações com atraso superior a 90 dias alcança R$ 171,4 bilhões, o maior patamar já registrado, conforme dados de fevereiro de 2026.
Especialistas apontam que o aumento das taxas de juros contribuiu para o agravamento do cenário. Quando o programa foi encerrado, em maio de 2024, o juro médio para pessoas físicas estava em 52,6% ao ano. Hoje, gira em torno de 62%, elevando o custo do crédito.
A taxa de inadimplência também avançou no período, passando de 5,5% para 6,9%. O movimento indica maior dificuldade das famílias em manter os pagamentos em dia, mesmo após renegociações anteriores.
O cenário reforça desafios estruturais no combate ao endividamento, com impacto direto sobre o consumo e a saúde financeira dos brasileiros.
Fonte: CNN Brasil