Copom reduz juros para 14,5% em meio a cenário incerto
Banco Central corta Selic pela segunda vez e monitora inflação.
O Banco Central decidiu reduzir a taxa básica de juros pela segunda reunião consecutiva. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,5% ao ano. A medida já era esperada por analistas do mercado financeiro.
Entre junho de 2025 e março deste ano, a taxa permaneceu em 15% ao ano, patamar que não era registrado há quase duas décadas. O movimento de queda começou na reunião anterior, em um contexto de desaceleração da inflação. No entanto, o cenário externo, especialmente a guerra no Oriente Médio, tem trazido novos desafios ao controle de preços, com impactos sobre combustíveis e alimentos.
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Em comunicado, o Copom informou que acompanha de perto os desdobramentos do conflito e seus efeitos sobre a economia. O texto destaca que as projeções de inflação seguem acima da meta e que há elevado grau de incerteza quanto à evolução dos preços, diante da falta de clareza sobre a duração e os efeitos da crise internacional.
A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, continua sob pressão. A prévia de abril, apurada pelo IPCA-15, registrou alta de 0,89%. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 4,37%, aproximando-se do limite superior da meta, fixada em 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
O novo modelo de meta contínua, em vigor desde 2025, passou a considerar a inflação acumulada em 12 meses de forma móvel, o que amplia o acompanhamento ao longo do tempo e não apenas no fechamento anual.
Projeções do Banco Central indicam inflação de 3,6% em 2026, mas o cenário pode ser revisado conforme a evolução do câmbio e dos preços. Já as estimativas do mercado financeiro apontam um índice mais elevado, com expectativa de 4,86% para este ano, acima do teto da meta.
A redução da Selic tende a facilitar o acesso ao crédito, o que pode estimular o consumo e a atividade econômica. Por outro lado, juros menores reduzem a capacidade de conter pressões inflacionárias, exigindo cautela na condução da política monetária.
A taxa básica serve de referência para os demais juros da economia e influencia diretamente financiamentos, empréstimos e aplicações financeiras. O equilíbrio entre crescimento econômico e controle da inflação segue como o principal desafio para o Banco Central nos próximos meses.
A decisão ocorreu em uma reunião marcada por ausências na diretoria da instituição. Dois cargos permanecem vagos desde o fim de 2025, e um terceiro diretor não participou do encontro por motivo pessoal. Mesmo assim, o colegiado manteve a condução da política monetária dentro do esperado pelo mercado.
Fonte: Com informações da Agência Brasil