Revisão do Minha Casa muda perfil de famílias aptas ao financiamento
Mudança nas faixas de renda reorganiza financiamento no Norte e Nordeste
A revisão das faixas de renda do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) deve impactar mais de 4,49 milhões de famílias nas regiões Norte e Nordeste, segundo levantamento da consultoria BCB Inteligência em parceria com o Fórum Norte e Nordeste da Indústria da Construção (FNNIC). A atualização amplia o acesso ao financiamento habitacional e redistribui beneficiários para categorias com juros mais baixos e condições mais vantajosas.
As mudanças foram aprovadas em março pelo Conselho Curador do FGTS e passaram a valer em abril. Com a reformulação, o programa passou a atender famílias com renda mensal de até R$ 13 mil, ampliando o alcance para segmentos da classe média que antes estavam fora do sistema.
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Os novos limites elevaram os tetos das quatro faixas do programa. A Faixa 1 passou a contemplar famílias com renda de até R$ 3.200; a Faixa 2, até R$ 5 mil; a Faixa 3, até R$ 9.600; e a nova Faixa 4 atende rendas de até R$ 13 mil.
O estudo analisou dados de 2.243 municípios dos 16 estados das duas regiões e concluiu que milhares de famílias passaram a migrar para categorias com melhores condições de financiamento. Em muitos casos, famílias que antes ficavam acima dos limites agora passam a ter acesso a juros menores e parcelas mais acessíveis.
Pernambuco lidera o ranking de estados mais impactados, com mais de 1 milhão de famílias beneficiadas pelas mudanças. Pará e Ceará aparecem na sequência. Juntos, os três estados concentram quase 58% de todo o impacto estimado pelo levantamento.
O estudo também aponta que mais de 82 mil famílias passam a entrar no programa pela primeira vez graças à criação da Faixa 4. O Piauí lidera essa expansão, com mais de 19 mil novos potenciais beneficiários, seguido por Rondônia e Rio Grande do Norte.
Segundo a análise, o impacto da revisão não está ligado apenas ao tamanho da população, mas principalmente à concentração de famílias com renda próxima aos antigos limites do programa. Com isso, estados com maior presença de renda intermediária passaram a registrar migrações significativas entre as faixas.
A Faixa 1 foi a que mais cresceu proporcionalmente em diversos estados, impulsionada pela entrada de famílias que antes estavam enquadradas em categorias superiores. Já algumas faixas registraram retração justamente por conta dessa migração para condições consideradas mais vantajosas.
A reformulação ocorre em meio ao aquecimento do mercado imobiliário e ao avanço das políticas habitacionais voltadas para financiamento popular e expansão do crédito no país.
Fonte: SBT News