Brasil negociará novas regras da UE para manter exportação de carne
Governo promete atender exigências sanitárias e reforçar diálogo com europeus
O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou nesta quarta-feira (13) que o governo brasileiro irá negociar adaptações na cadeia produtiva da carne bovina para atender às novas exigências impostas pela União Europeia. As medidas envolvem regras mais rígidas de rastreabilidade animal, controle sanitário e segregação da produção.
A declaração foi dada durante o Congresso da Abramilho, em Brasília, após a repercussão das sinalizações feitas pelo bloco europeu ao setor agropecuário brasileiro. Segundo o ministro, a divulgação antecipada das exigências surpreendeu o governo, que ainda discutia tecnicamente o tema com representantes da União Europeia.
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De acordo com André de Paula, o Brasil pretende preservar o acesso ao mercado europeu e manter o fluxo de exportações de proteína animal. O ministro ressaltou que o país possui um sistema consolidado de defesa agropecuária e destacou a presença brasileira no mercado europeu há quatro décadas.
As novas exigências da União Europeia vão além da redução do uso de antibióticos na produção pecuária. O bloco quer ampliar os mecanismos de comprovação sanitária e exigir rastreabilidade individual dos animais, o que pode demandar mudanças estruturais em segmentos da cadeia produtiva nacional.
O ministro confirmou que representantes do governo brasileiro já se reuniram com o embaixador do Brasil junto à União Europeia para alinhar os primeiros entendimentos sobre o tema. Novos encontros devem ocorrer nos próximos dias para esclarecer pontos considerados ainda indefinidos pelo governo.
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que as análises podem ocorrer de forma segmentada, considerando as particularidades de cada cadeia do agronegócio.
O debate ocorre em meio a um cenário de pressão sobre o setor agropecuário brasileiro. Durante o evento, a ex-ministra Tereza Cristina citou os impactos da guerra na Ucrânia sobre o mercado de fertilizantes, os efeitos dos conflitos no Oriente Médio na logística internacional e o elevado custo do crédito rural no país.
Segundo ela, as taxas de juros atuais dificultam o financiamento da produção agrícola e exigem mudanças no modelo do Plano Safra. A ex-ministra também defendeu a ampliação do seguro rural diante dos riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño.
André de Paula reconheceu as dificuldades enfrentadas pelos produtores e afirmou que temas como juros, crédito rural e endividamento têm sido recorrentes nas discussões entre o governo e representantes do agronegócio.
Fonte: CNN Brasil