Discriminação no mercado gera perdas bilionárias no Brasil
Estudo aponta impacto econômico da exclusão da população LGBT+ no trabalho
A exclusão da população LGBT+ do mercado de trabalho brasileiro gera perdas anuais estimadas em R$ 94,4 bilhões, segundo levantamento apresentado por especialistas com base em estudo do Banco Mundial. O valor representa cerca de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e evidencia o impacto econômico provocado pela discriminação e pela falta de políticas efetivas de inclusão profissional. O estudo aponta que as barreiras enfrentadas por essa parcela da população comprometem o desenvolvimento econômico e ampliam desigualdades históricas no país.
Os dados mostram que a taxa de desemprego entre pessoas LGBT+ chega a 15,2%, praticamente o dobro da média nacional, estimada em 7,7%. Além disso, 37,4% desse grupo estão fora da força de trabalho, percentual superior ao registrado entre a população geral. O levantamento também mostra que o afastamento do mercado está diretamente ligado a experiências de preconceito, discriminação e à ausência de ambientes profissionais acolhedores, fatores que acabam afastando trabalhadores qualificados de oportunidades formais.
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O impacto da exclusão vai além da perda de renda individual. O estudo estima prejuízo fiscal anual de R$ 14,6 bilhões, resultado da combinação entre menor arrecadação tributária e aumento da demanda por programas de assistência social. Entre os grupos mais afetados estão mulheres lésbicas, pessoas negras LGBT+ e, principalmente, mulheres trans e travestis, que enfrentam índices ainda mais elevados de desemprego, subutilização profissional e penalização salarial.
Especialistas defendem que a reversão desse cenário exige políticas públicas permanentes, ampliação de ações afirmativas e o fortalecimento de práticas corporativas voltadas à diversidade e ao combate à discriminação. Para pesquisadores envolvidos na análise, promover inclusão no mercado de trabalho não é apenas uma pauta social, mas uma estratégia econômica capaz de ampliar produtividade, impulsionar arrecadação e contribuir para um ambiente profissional mais justo e competitivo em todo o país
Fonte: Correio Braziliense