STF analisa disputa sobre votação de Jorge Messias
Ação no STF contesta rejeição de Messias no Senado
A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) se tornou alvo de uma disputa jurídica dentro da própria Corte. O procedimento busca anular a decisão do Senado, que rejeitou o nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar uma vaga no tribunal.
O caso está sob a relatoria do ministro Luiz Fux e tramita como uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF). Este instrumento visa questionar atos de autoridades públicas que possam infringir princípios constitucionais.
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Na votação no Senado, Messias obteve 34 votos a favor e 42 contrários, enquanto necessitava de pelo menos 41 apoios para ser confirmado no STF. A ação judicial foi movida pela Associação Civitas para Cidadania e Cultura, que alega irregularidades durante a condução da sessão.
Davi Alcolumbre, presidente do Senado, é citado por supostamente ter afirmado que Messias "vai perder por oito" antes do anúncio oficial do resultado, o que, segundo a associação, sugere que o resultado final era conhecido previamente, questionando a confidencialidade do processo.
A votação para a indicação ao STF é feita de maneira secreta. A entidade afirma que a antecipação do resultado por Alcolumbre poderia representar uma violação do sigilo garantido pelo regimento do Senado. Isso levanta dúvidas sobre a imparcialidade da deliberação e a legitimidade do processo legislativo.
Outro ponto abordado na ação é a alegação de desvio de finalidade. A associação argumenta que o Senado, ao invés de avaliar critérios técnicos, teria optado por uma decisão política para enfraquecer o governo Lula. Mesmo com a aprovação de Messias pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), sua rejeição no plenário é vista como resultado de articulações políticas.
Antes mesmo de ser votada, a indicação de Messias já enfrentava resistência. O presidente do Senado, Alcolumbre, demonstrava preferência pelo nome do senador Rodrigo Pacheco para a vaga no Supremo. A relação entre o governo e o Congresso se deteriorou ainda mais após essa rejeição e a subsequente derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria.
A Associação Civitas pede que o STF suspenda os efeitos da votação do Senado e, no julgamento de mérito, declare a nulidade da rejeição. A entidade solicita uma nova votação no Senado. Como relator, Fux pode pedir esclarecimentos ao Senado, ouvir a Procuradoria-Geral da República ou decidir de forma monocrática sobre o pedido liminar. Não há um prazo definido para a decisão.