Governo Lula pede silêncio a aliados sobre operação contra Ciro Nogueira
Planalto teme que manifestações públicas alimentem a tese de retaliação pelo papel do senador na derrota de Messias ao STF
Brasília — O governo Lula orientou ministros e aliados no Congresso a não comentarem publicamente a operação da Polícia Federal que atingiu o senador Ciro Nogueira (PP-PI) nesta quinta-feira. A ordem partiu do Palácio do Planalto com um objetivo claro, evitar que qualquer manifestação favorável à ação policial sirva de argumento para a defesa do senador construir a tese de retaliação política.
O receio tem razão de ser. Nogueira é apontado internamente pelo PT como um dos senadores que articulou contra a aprovação de Jorge Messias, indicado por Lula ao Supremo Tribunal Federal. O senador constava na lista petista como voto certo e não entregou. Messias obteve apenas 34 votos, abaixo dos 41 necessários, na primeira rejeição de um indicado presidencial ao STF desde 1894. O mandado que deflagrou a operação desta quinta foi assinado pelo ministro André Mendonça, o mesmo que mais empenhou capital político para aprovar Messias.
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Qualquer declaração governista relacionando a operação ao comportamento de Nogueira na sabatina seria munição imediata para a defesa explorar a tese de desvio de finalidade. O Planalto sabe que comemorar seria catastrófico, criticar seria contraditório. Resta o silêncio administrado.
Do ponto de vista jurídico, a operação se sustenta, mas em Brasília, política e direito raramente caminham em linhas paralelas. E o governo Lula sabe que, neste caso, qualquer palavra a mais pode transformar uma investigação legítima numa crise política sem tamanho.
Fonte: Portal AZ