Relatório aponta assassinato de JK e reabre debate sobre ditadura militar

Documento da comissão contesta acidente na Via Dutra e aponta ação do regime

Por Dominic Ferreira,

A Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) analisa um relatório que conclui que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pelo regime militar em 1976. O documento, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, rejeita a versão oficial de que a morte ocorreu em um acidente automobilístico na Via Dutra (BR-116), durante viagem entre Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo o parecer, houve uma ação externa responsável por tirar o veículo da pista antes da colisão fatal com uma carreta.

Foto: Arquivo Nacional/Fundo Agência NacionalJuscelino Kubistchek governou o Brasil entre 1956 e 1961.
Juscelino Kubistchek governou o Brasil entre 1956 e 1961.

O relatório, com mais de 5 mil páginas, questiona diretamente a narrativa sustentada pela ditadura militar. A versão oficial afirmava que o carro dirigido por Geraldo Ribeiro, amigo e motorista de JK, teria sido atingido por um ônibus durante uma ultrapassagem, provocando a perda de controle do veículo. No entanto, a análise da relatora aponta ausência de evidências que comprovem essa primeira colisão, considerada peça central da explicação apresentada na época pelas autoridades.

A investigação também reúne elementos de outras apurações realizadas nos últimos anos, incluindo um inquérito civil conduzido pelo Ministério Público Federal entre 2013 e 2019. Embora o MPF tenha concluído que não era possível confirmar nem descartar um atentado, o processo apontou inconsistências relevantes na versão oficial. O relatório da comissão ainda utiliza conclusões das comissões estaduais da Verdade de São Paulo e Minas Gerais, que defenderam a hipótese de atentado político, seja por sabotagem no veículo ou por disparos contra o automóvel.

O parecer será analisado pelos demais integrantes da CEMDP e deverá entrar em pauta em uma próxima reunião do colegiado. Juscelino Kubitschek governou o Brasil entre 1956 e 1961 e teve sua trajetória marcada pela construção de Brasília e pelo projeto de modernização do país. Após o golpe militar de 1964, teve os direitos políticos cassados. Décadas depois, a circunstância de sua morte continua cercada de controvérsias e volta ao centro do debate histórico e político nacional.

Fonte: Correio Braziliense

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