STF aperta cerco a penduricalhos e veta manobras para driblar teto
Corte exige contracheque único e ameaça punir gestores por pagamentos extras
O Supremo Tribunal Federal endureceu nesta sexta-feira (8) as restrições aos chamados “penduricalhos” no serviço público e proibiu medidas administrativas usadas para contornar o teto salarial do funcionalismo. Em novas decisões, ministros da Corte vedaram alterações internas que criem pagamentos extras disfarçados e determinaram maior transparência nos contracheques de magistrados, procuradores e outros integrantes do sistema de Justiça.
As decisões, assinadas pelos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, reforçam entendimento fixado pelo plenário do STF nesta semana contra verbas que permitem remunerações acima do teto constitucional, hoje equivalente ao salário de um ministro da Corte, de R$ 46,3 mil.
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Na prática, o Supremo proibiu estratégias como reclassificação de comarcas, criação de gratificações, mudanças em regras de plantão e divisão artificial de funções para justificar pagamentos adicionais. A Corte também determinou que todos os valores recebidos sejam reunidos em um único contracheque, com detalhamento transparente das quantias efetivamente depositadas.
O STF estabeleceu ainda que gestores responsáveis por autorizar pagamentos considerados irregulares poderão responder nas esferas civil, penal e administrativa. A determinação atinge tribunais, Ministérios Públicos, Tribunais de Contas, defensorias e advocacias públicas em todo o país.
A ofensiva ganhou força após reportagens revelarem novas verbas criadas por órgãos do Judiciário, como no caso do Tribunal de Justiça do Paraná, que previa pagamentos extras a magistrados por atividades de tutoria e acúmulo de jurisdição. Após a repercussão, o tribunal revogou as medidas.
Além das novas decisões, o Supremo publicou nesta sexta o acórdão do julgamento que consolidou as restrições aos penduricalhos. A divulgação abre prazo para recursos internos contra o entendimento firmado pela Corte.
Fonte: Com informações do G1