Keiko lidera apuração e disputa presidencial segue indefinida no Peru
Com 90% das urnas apuradas, diferença entre candidatos é inferior a 1 ponto
A disputa pela Presidência do Peru segue aberta após o segundo turno realizado neste domingo (8). Com 90% das urnas apuradas, a candidata de direita Keiko Fujimori aparece à frente do esquerdista Roberto Sánchez, mas a pequena diferença entre os dois mantém o resultado indefinido.
Segundo os dados mais recentes da apuração, Keiko soma 50,55% dos votos válidos, enquanto Sánchez registra percentual próximo, em uma das eleições mais equilibradas da história recente do país. A margem apertada reflete a forte polarização política e social que marca o cenário peruano.
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Analistas avaliam que os números revelam um país dividido entre projetos políticos distintos e sem uma força dominante. Os primeiros votos contabilizados vieram principalmente dos grandes centros urbanos, onde Keiko possui maior apoio. Já Sánchez concentra sua base eleitoral nas regiões rurais e andinas, cujos votos costumam ser apurados nas etapas finais da contagem.
Pesquisas divulgadas após o encerramento da votação apontavam vantagem mínima para Sánchez, reforçando o cenário de incerteza que acompanha o processo eleitoral.
Cerca de 27 milhões de peruanos estavam aptos a votar. O segundo turno ocorreu sem registros de incidentes relevantes, diferentemente da primeira etapa da eleição, realizada em abril, que foi marcada por questionamentos e denúncias de irregularidades.
A eleição ocorre em meio a uma prolongada crise política. Em apenas uma década, o Peru teve sucessivas mudanças de governo, enfrentou processos de impeachment, crises institucionais e episódios de instabilidade que afetaram a confiança da população nas lideranças políticas.
Aos 51 anos, Keiko Fujimori disputa a Presidência pela quarta vez consecutiva. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, ela defende o legado econômico e de segurança pública do governo do pai, apesar das controvérsias envolvendo condenações por corrupção e violações de direitos humanos.
Roberto Sánchez, de 57 anos, participa pela primeira vez de uma disputa presidencial. Ex-ministro e aliado político do ex-presidente Pedro Castillo, ele construiu sua candidatura com forte apoio em regiões do interior do país e apresenta propostas voltadas ao fortalecimento da presença do Estado na economia e à ampliação de políticas sociais.
A segurança pública foi um dos temas centrais da campanha. O crescimento da criminalidade e da violência urbana aparece entre as principais preocupações dos eleitores. Enquanto Keiko propõe medidas mais rígidas de combate ao crime, incluindo apoio das Forças Armadas às ações policiais, Sánchez defende reformas institucionais, fortalecimento do Judiciário e mudanças na estrutura policial.
Reta final da apuração mantém incerteza sobre novo presidente do Peru
Votos do interior e do exterior ainda podem influenciar desfecho.
Na área econômica, os candidatos também apresentam propostas distintas. Keiko aposta em políticas voltadas à atração de investimentos e ao fortalecimento da iniciativa privada. Sánchez defende maior participação estatal em setores estratégicos e medidas voltadas à valorização dos salários.
Independentemente de quem vencer, o próximo presidente encontrará o desafio de governar sem maioria parlamentar, o que exigirá negociações e alianças para garantir governabilidade a partir da posse, prevista para 28 de julho.
Fonte: DW