Quem é Jaques Wagner, líder do governo Lula alvo da PF no caso Master
Líder do governo Lula alvo em investigação sobre suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento ao Banco Master
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (18) a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga o esquema de fraudes no Banco Master. Entre os alvos está o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado Federal e o aliado mais importante de Lula no nordeste. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão contra o parlamentar, expedidos pelo STF a pedido do ministro André Mendonça, relator do caso.
Ao todo são 18 mandados executados na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Além das buscas, a decisão determina medidas cautelares diversas da prisão, entre elas proibição de contato entre os investigados, suspensão de passaportes e monitoração eletrônica para parte dos alvos. O empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e proprietário do Banco Pleno, também é alvo de busca e apreensão. Os crimes apurados nesta fase são corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
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Quem é Jaques Wagner?
Nascido no Rio de Janeiro em 1951, Wagner construiu toda a carreira política na Bahia. Antes de ingressar na política institucional atuou como sindicalista no polo petroquímico de Camaçari e participou da fundação do PT baiano. Foi governador do estado por dois mandatos consecutivos, entre 2007 e 2014, e ocupou os ministérios da Defesa, da Casa Civil e do Trabalho em governos petistas. Atualmente é senador pela Bahia, líder do governo Lula no Senado e um dos principais articuladores do PT no Nordeste. Wagner também é pré-candidato à reeleição em 2026.
O que a PF apura?
Segundo apurado pela imprensa, as suspeitas contra Wagner nascem da análise de mensagens extraídas do celular de Augusto Lima. Os investigadores tentam estabelecer se o senador atuou no Congresso em favor de pautas de interesse do Banco Master, entre elas uma proposta de ampliação do crédito consignado.
A PF apura ainda se a família de Wagner teria recebido um imóvel de luxo em Salvador como espécie de propina paga por Augusto Lima. Trata-se de um apartamento de cerca de 200 m², com quatro suítes, no 17º andar de um empreendimento com piscina, academia, quadra poliesportiva, spa e área para animais de estimação, avaliado em R$ 2,5 milhões. A unidade teria sido destinada a Wagner.
Há também o episódio revelado em março pela colunista Milena Teixeira, do Metrópoles, sobre a BK Financeira, empresa de Bonnie de Bonilha, nora de Wagner, recebeu ao menos R$ 11 milhões do Banco Master desde 2021, contratada para prospectar operações de crédito consignado para a instituição de Daniel Vorcaro.
Em manifestações anteriores ao caso, Wagner negou qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa da nora e afirmou que cabe a ela prestar os esclarecimentos sobre suas próprias atividades. Até a publicação desta matéria o senador não havia se manifestado sobre os mandados de busca cumpridos nesta quinta-feira.
Repercussão política
O presidente do PT, Edinho Silva, divulgou nota em defesa do senador, afirmando confiar na inocência de Wagner e na disposição dele de esclarecer os fatos, ao mesmo tempo em que declarou apoio às investigações da Polícia Federal.
O ministro da Fazenda, Dário Durigan, também saiu em defesa do colega de partido. Em entrevista ao Metrópoles disse confiar em Wagner e defendeu que ele tenha oportunidade de se explicar perante a Justiça. Durigan classificou o caso Master como um dos maiores escândalos recentes do sistema financeiro nacional e atribuiu a origem dos problemas ao período de expansão acelerada do banco, entre 2019 e 2024.
A operação também tem repercussão eleitoral na Bahia. Segundo o jornal O Globo, aliados de Wagner e do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), cuja empresa de consultoria também aparece no inquérito recebendo repasses entre 2023 e 2025, firmaram entendimento para evitar a exploração política mútua do caso na disputa estadual de 2026.
O caso Master e a operação Compliance Zero
A primeira fase da Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025, quando a PF prendeu por duas vezes o então controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e outros alvos, entre eles Augusto Lima. Na ocasião o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master. Vorcaro chegou a ser solto com tornozeleira eletrônica e foi preso de novo em março, permanecendo detido na Superintendência da PF em Brasília.
Fases mais recentes ampliaram o cerco a familiares e operadores ligados a Vorcaro. No dia 16 de junho a Segunda Turma do STF manteve, por 3 votos a 1, as prisões do pai e do primo do banqueiro, Henrique e Felipe Vorcaro, apontados como responsáveis por ocultar recursos do esquema. A investigação central apura fraudes no sistema financeiro e a tentativa de compra do Master pelo BRB, banco público ligado ao governo do Distrito Federal.
A PF não detalhou publicamente, até o fechamento desta matéria, os elementos de prova que fundamentaram especificamente os mandados contra Wagner. A defesa de Augusto Lima classificou as diligências desta quinta como desnecessárias, alegando que o empresário já está à disposição das autoridades há seis meses, e afirmou que ele sempre atuou dentro da lei. A investigação segue em andamento, com novas informações esperadas ao longo do dia.
Fonte: Portal AZ