Brasil lidera alta de tarifas dos EUA desde retorno de Trump à Presidência
Levantamento aponta país como o mais afetado por aumentos tarifários do governo dos EUA
O Brasil passou a ocupar a primeira posição entre os países que mais tiveram aumento nas tarifas de importação aplicadas pelos Estados Unidos desde o retorno de Donald Trump à Presidência. Levantamento do Global Trade Alert (GTA), compilado pelo St. Gallen Endowment e divulgado pela BBC News Brasil, mostra que a tarifa efetiva média sobre produtos brasileiros saltará de 1,19%, registrada em janeiro de 2025, para 14,42% no fim deste mês, após a entrada em vigor das novas medidas anunciadas por Washington.
O crescimento supera o registrado por outros importantes parceiros comerciais dos Estados Unidos. Segundo o estudo, Coreia do Sul, Tailândia, Japão e China também enfrentaram aumento das alíquotas, mas em proporções menores que as verificadas para o Brasil. O levantamento considera as tarifas efetivamente cobradas sobre os produtos, levando em conta as exceções previstas pela legislação norte-americana, e não apenas as alíquotas nominais anunciadas pelo governo. Com isso, o Brasil passa a figurar entre os países mais tarifados pelos EUA, atrás apenas da China em tarifa efetiva média.
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As novas tarifas incidem sobre milhares de produtos brasileiros, como açúcar, máquinas, papel, vestuário e aço, embora uma extensa lista de itens permaneça isenta ou submetida a alíquotas reduzidas. A medida decorre de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que apontou supostas práticas comerciais consideradas desleais pelo governo americano. O Brasil contesta as acusações e afirma que buscou negociar até os momentos finais antes da decisão.
O governo brasileiro classificou a decisão como um marco negativo nas relações bilaterais e informou que estuda medidas de resposta com base na Lei da Reciprocidade Econômica, além de avaliar uma contestação na Organização Mundial do Comércio (OMC). Especialistas alertam que a elevação das tarifas pode afetar parte das exportações brasileiras e aumentar as tensões comerciais entre os dois países, embora produtos estratégicos, como café, carne bovina e componentes aeronáuticos, tenham sido incluídos na lista de exceções anunciada pelos Estados Unidos.
Fonte: Correio Braziliense