EUA atacam lançadores iranianos e Teerã reage com mísseis na Jordânia
Troca de ataques ocorre após seis meses de guerra. Preço do petróleo volta a superar US$ 90 por barril.
Os Estados Unidos atacaram, no domingo (30), dois lançadores de foguetes iranianos na Ilha de Larak, no Estreito de Ormuz. Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), a ação teve como objetivo impedir novos lançamentos de minas marítimas na principal rota de navegação da região.
A Guarda Revolucionária do Irã confirmou que houve baixas entre seus integrantes após o ataque americano. Em seguida, o governo iraniano anunciou uma resposta militar contra posições dos Estados Unidos em países aliados de Washington no Oriente Médio.
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A troca de ataques ocorreu seis meses após o início da guerra entre os dois países, em um período no qual as operações militares haviam perdido intensidade. Nas últimas semanas, o governo do presidente Donald Trump vinha priorizando medidas econômicas contra Teerã, em vez de novas ações militares.
De acordo com o Centcom, as forças americanas realizaram uma operação considerada limitada contra estruturas utilizadas para a colocação de minas marítimas. O comando afirmou ainda que havia concluído, dias antes, a remoção de explosivos das rotas internacionais de navegação do Estreito de Ormuz.
“Mais cedo hoje, forças americanas atacaram dois lançadores iranianos na Ilha de Larak”, afirmou um porta-voz do Centcom.
O estreito é uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Antes do conflito, cerca de um quinto do petróleo comercializado internacionalmente passava pela região.
Em resposta, a Guarda Revolucionária afirmou ter lançado mísseis balísticos contra duas bases americanas na Jordânia. Segundo a televisão estatal iraniana, as instalações atingidas foram King Hussein e Al-Azraq.
O governo jordaniano informou que oito mísseis foram interceptados, mas não especificou a origem dos projéteis.
As forças iranianas também anunciaram uma ação contra a base aérea de Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos, onde há presença de militares americanos. O Ministério da Defesa dos Emirados informou ter interceptado um drone e negou que a instalação tenha sido atingida.
No Estreito de Ormuz, a Guarda Revolucionária afirmou que um petroleiro foi atingido por duas minas navais e pegou fogo. O governo iraniano declarou que a embarcação tentava atravessar a região sem autorização.
O Irã também voltou a afirmar que o estreito permanece fechado para navios que não tenham autorização para navegar pela área. O governo americano, por outro lado, sustenta que a passagem está aberta e afirma que embarcações comerciais continuam sendo escoltadas ou redirecionadas.
Na semana passada, o presidente Donald Trump afirmou que 24 embarcações haviam atravessado o estreito. O número representa uma parcela do fluxo registrado antes do início da guerra, quando aproximadamente 130 embarcações passavam diariamente pela região.
O governo americano informou ainda que havia redirecionado 83 embarcações comerciais e mantido três navios imobilizados como parte do bloqueio aos portos iranianos.
A escalada militar também teve reflexos nos mercados internacionais. O preço do petróleo Brent voltou a superar US$ 90 por barril após a retomada dos ataques. Durante os momentos mais intensos do conflito, a cotação chegou a ultrapassar US$ 120.
Além das operações militares, Washington prepara novas sanções econômicas contra o Irã. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que novas medidas poderão ser anunciadas semanalmente, inicialmente com foco em instituições financeiras.
Segundo Bessent, o governo americano pretende ampliar a pressão sobre bancos que mantenham recursos iranianos ou auxiliem operações relacionadas ao governo de Teerã.
Os esforços diplomáticos para encerrar o conflito continuam. Paquistão e Catar estão entre os países que atuam como mediadores, mas ainda não houve um acordo definitivo entre Estados Unidos e Irã.
Um cessar-fogo foi estabelecido em abril, e um memorando de entendimento foi assinado em junho com o objetivo de abrir caminho para um acordo de paz. Ataques esporádicos, principalmente nas proximidades do Estreito de Ormuz, entretanto, mantiveram as tensões na região.
O conflito também enfrenta pressão dentro dos Estados Unidos. A continuidade das operações militares tem provocado críticas no país, enquanto o governo Trump avalia os impactos do consumo de munições e dos custos da campanha sobre a capacidade militar americana em outras regiões.
No Irã, o presidente Masoud Pezeshkian afirmou que o país não busca uma guerra, mas que responderá a qualquer ataque. Enquanto isso, Teerã mantém o controle sobre o acesso ao Estreito de Ormuz, utilizando a passagem estratégica como instrumento de pressão nas negociações.
Fonte: Com informações do EuroNews