“O cão é muito articulado”: política e leitura
Direita e esquerda expõem os impactos da falta de interpretação
A frase “O cão é muito articulado” provoca uma reflexão sobre a diferença entre falar bem e compreender o que se diz. Muitas pessoas leem apenas manchetes, compartilham informações sem verificar a fonte e formam opiniões sem conhecer o contexto. Ler palavras não significa, necessariamente, entender ideias.
Os dados educacionais confirmam o tamanho do desafio. Em 5 de maio de 2025, a Agência Brasil publicou resultados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) que apontaram 29% dos brasileiros de 15 a 64 anos em situação de analfabetismo funcional. Já o Pisa 2022, divulgado pela OCDE em 5 de dezembro de 2023, mostrou que aproximadamente metade dos estudantes brasileiros de 15 anos não alcançou o nível básico de proficiência em leitura.
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Na política, a falta de interpretação favorece a desinformação e o fanatismo. Uma acusação não equivale a uma condenação, uma promessa não significa que uma medida foi executada e uma pesquisa não representa necessariamente toda a população. O viés de confirmação agrava o problema: muitas pessoas aceitam informações que favorecem suas crenças e rejeitam aquelas que as contrariam, independentemente de quem seja o beneficiado. Esse comportamento pode aparecer tanto entre apoiadores da direita quanto da esquerda.
A história brasileira também revela como a exclusão educacional contribuiu para perpetuar desigualdades. Segundo os registros históricos da plataforma Slave Voyages, aproximadamente 4,86 milhões de africanos escravizados desembarcaram no Brasil durante o tráfico transatlântico. O número não corresponde a mortes, mas evidencia a dimensão da escravidão, sistema sustentado pela violência e por estruturas econômicas, políticas e sociais. A abolição, em 1888, não garantiu igualdade de oportunidades à população negra.
Enfrentar esse problema exige políticas públicas contínuas, alfabetização na idade certa, valorização dos professores e educação midiática. Governos precisam demonstrar resultados, e os cidadãos devem aprender a verificar fontes, comparar informações e questionar as próprias certezas. A democracia não exige que todos pensem igual, mas depende da capacidade de compreender os fatos antes de formar opiniões. Falar com desenvoltura não é prova de conhecimento; pensar criticamente é saber perguntar, investigar e reconhecer quando estamos errados.
Fonte: Portal AZ