O se e o quando

O se e o quando

Há um sem número de sinais de que o presidente Jair Bolsonaro se encontra naquela categoria de presidentes cujo poder se erodiu a tal ponto que passa a ideia de ter-se tornado um time de futebol que antes do meio do campeonato já não tem mais chances de classificação (no caso dele, de tentar uma reeleição) e, nessa condição, segue somente em cumprimento à tabela – ou às datas constitucionais. Mas como se está em meio a três crises simultâneas e que se complementam em seus efeitos deletérios, parte crescente de torcida e adversários e da própria equipe parece disposta a discutir a descontinuidade do processo de cumprimento da tabela do campeonato sem chances de êxito do time em campo. Ou seja, um fim abreviado da temporada de Bolsonaro já não parece ser mais uma condicionante (se), mas uma questão de tempo e de conjuntura (quando). Os sinais dessa possibilidade de encurtamento da presença de Bolsonaro no Planalto ficam evidentes em falas como a de Fernando Henrique Cardoso, ao propugnar uma renúncia do presidente para poupar o país de (mais um) desgastante processo de impedimento presidencial – o que, já se sabe, tem custo político e econômico elevado demais. Ocorre é que uma renúncia não está nos planos do presidente – que já deu sobejas demonstrações de que é do tipo revolucionário (ele quer tudo, ele não negocia nada), ou seja, se é para ser retirado, que seja coercitivamente, pela força de um processo longo, que pode ser judicial (em razão de processo por crimes comuns e de responsabilidade) ou político – na acusação já existente aos montes de crime de responsabilidade. Seja como for, em meio à crise política que Bolsonaro fabricou, ele próprio, não se sabe com que cálculo político, ele ainda segue com o poder de sua caneta, disposto a fazer nomeações e abrir o balcão para negociar o afastamento de afiada lâmina de seu pescoço. Isso, podem apostar, vai ser uma coisa pouco edificante para a já carcomida biografia do senhor presidente. Sinais disso dão suas conversas com a parte mais emlameada da política, o chamado Centrão.

Ministro Nelson Teich vai enviar aos estados um milhão de testes rápidos para o diagnóstico da Covid-19 (Foto: Marcello Casal / Agência Brasil)

Porto inseguro 1

Registro feito pelo jornalista Ascânio Seleme, de O Globo: “Enviado do senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI) ligou para um grande executivo do setor de logística para pedir a indicação de um nome para presidir a Companhia Docas do Estado de São Paulo, que administra o Porto de Santos. A empresa foi oferecida por Bolsonaro a Ciro em troca de apoio político. O executivo respondeu que tinha, sim, ‘mas é gente séria’.
O interlocutor então agradeceu, desligou o telefone e desapareceu”.

Vixe, Maria!

Arre égua, não bastassem os inúmeros inquéritos que investigam seu envolvimento com recebimento de propina, Ciro Nogueira agora quer o Porto de Santos.
Foi esse porto que meteu o ex-presidente Michel Temer na cadeia.
Acaba não mundão.

O fundo, também

Ele ainda não divulgou, mas se diz que Ciro Nogueira está tão fechado para defender Bolsonaro e enfrentar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que ele teria recebido em troca, também, o polpudo (de dinheiro) FNDE e uma diretoria da Codevasf.

A lista

Era pra Ciro ter divulgado sexta-feira a lista dos seus indicados. Mas a delação do Moro atrapalhou.
Esperar se entre os indicados aparecerá Davidson Tolentino aí o time dos fiéis operadores do senador estará completo.

Firmino Filho (Foto: Wilson Nanaia / Portal AZ)

Reforço

Firmino Filho abriu um crédito suplementar de R$ 27,6 milhões para ações de enfrentamento à covid-19.
A maior parte do recurso (R$ 26,3 milhões) será em ações diretas contra a doença, mas R$ 1,3 milhão serão usados em comunicação, com o mesmo fim.

Crescente

Ontem, ao registrar os números do dia anterior para casos da covid-19, a prefeitura de Teresina sinalizou que estamos em uma subida.
No dia 24 (sexta-feira) foram notificados 26 casos, mostrando uma curva crescente.

Em casa

O que a prefeitura diz sem ter pronunciado uma só palavra parece uma sabedoria de nossos pais e avós: boa romaria faz quem em sua casa fica em paz.
Fiquem em casa, pois.

Mas

Para quem tem que deixar a segurança da casa, a saída deve implicar em ações seguras. Desde ontem, por exemplo, supermercados têm barrado mais de uma pessoa por carrinho ou cesta, exigido o uso de máscaras e redobrado as ações de higienização.

São Raimundo, não!

A coluna errou ao informar que a cidade de São Raimundo Nonato teria registrado um óbito por coronavirus.
Não. Ainda não.

Vizinhança caótica 1

No Maranhão, até anteontem, chegava a 90% a ocupação de leitos dedicados a pacientes diagnosticados com o novo coronavírus em São Luís. Os dados são da Secretaria de Saúde.
Havia somente 11 leitos de UTI exclusivos para pacientes com a covid-19 na capital maranhense.
Os registros de casos somaram 100 mortos, com 2.015 casos confirmados.

Vizinhança caótica 2

No Ceará, os dados são ainda mais desanimadores: ontem os mortos pela doença chegavam a 310, com 5.421 casos confirmados em 128 municípios.
Os números devem ser maiores, porque 17,7 mil casos sob investigação e mais de 20 mil testes realizados – boa parte deles sem resultados apresentados.

Vizinhança caótica 3

Pernambuco tinha ontem mais de 4,5 mil casos confirmados da doença e 381 óbitos e na Bahia, estado que também faz divisa com o Piauí, os casos de covid-19 passaram de 2 mil ontem, com 70 mortes.

Preocupação

Com tanta gente doente nos estados vizinhos, somando 9,5 mil casos, além de 861 mortes, há razões de sobra para preocupações do Piauí, sobretudo, nas áreas de divisa, como em São Raimundo Nonato, que tem o maior número de casos por habitantes no estado e fica a pouco mais de 100 km da divisa com a Bahia.

Energia solar

Está em vigor desde o início da semana passada a lei municipal que autoriza a prefeitura a delegar ao setor privado a implantação e operação de usinas fovoltaicas no município.
A lei sancionada por Firmino Filho prevê que uma licitação para escolher as empresas que vão explorar o serviço.

Guedes chamou atenção durante o pronunciamento de Bolsonaro (Foto: reprodução)

Fora do time

O fato de Paulo Guedes (Economia) ser o único ministro de máscaras e com sapatos hospitalares descartáveis, pode ser a evidência de que, depois de Moro, será ele o próximo a bater em retirada.
A avaliação é da colunista Thaís Oyama, da Folha de São Paulo.
A conferir, pois.

Luto

Ricardo Brennand, o fundador de um dos melhores museus do Brasil e que leva o nome dele, em Recife, morreu ontem, aos 91 anos.
Era tio de Mariana Brennand Fortes, esposa do ex-senador Heráclito Fortes.

Piauí receberá 20 respiradores produzidos pela indústria nacional 

Amém, ministro!

Pelo Twitter, ontem à tarde, o ministro Nelson Teich informou que o Ministério da Saúde vai enviar aos estados um milhão de testes rápidos para o diagnóstico da Covid-19.
No combo de bondades ele anunciou ainda o recebimento de 272 respiradores, enviados aos estados. O governo espera 14.100 respiradores.

Ping-Pong  
Sem o sofrimento de assinar

Jorcelino Tolentino da Gama, vice, rompeu com o prefeito de Paranaguá (PI), Avelino Lopes, e decidiu candidatar-se à prefeitura. O prefeito foi à Justiça para impugnar a candidatura, alegando que Jorcelino assumiram o cargo. Até apresentou um ofício assinado por ele. O juiz da cidade resolve convocar Jorcelino.

O juiz: “Senhor Jorcelino, reconhece essa assinatura como sua?”
Jorcelino: “Doutor juiz, eu tenho a maior dificuldade de assinar o meu nome. Quando assino, é um sofrimento. E este ano eu não tive esse sofrimento.”

Expressas 

A gasolina está sendo vendida em muitos postos de Teresina a 3,85 – o menor preço em anos do combustível. Mas nem assim há aumento das vendas, que em alguns postos caíram mais de 70%.

Cabeleireiros e barbeiros, depois de quase um mês de salões com portas fechadas, começam a atender em domicílio, com hora marcada.

Outros prestadores de serviço também começam a oferecer um atendimento em domicílio, para driblar a proibição de abrir seus estabelecimentos.

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