Um espaço de investigação política
Um espaço de investigação política
Nesta semana devem ser iniciados os trabalhos da CPI da Covid-19. Não há como prever o que pode ocorrer, mas desde logo há um perdedor neste jogo, o presidente Jair Bolsonaro. A investigação concentrada na atuação de seu governo ante à gestão tende a precipitar uma responsabilização formal do mandatário sobre o desastre sanitário que vive o país. É evidente que com uma sucessão de atos pouco edificantes sobre a doença, Bolsonaro ficou naquela condição de alguém que produziu quantidades industriais de provas contra si mesmo. Aos senadores caberá fazer o que parecem dispostos: dar um caráter formal à culpa do presidente. Neste sentido é que os aliados do presidente terão que ter muita munição para desviar os holofotes focados sempre em Bolsonaro, fazendo com que irregularidades cometidas nos estados sejam alvo das investigações. Isso poderá trazer um efeito de alívio sobre a figura do presidente e ainda servir como base para se criar aborrecimentos e sanções aos governadores, muitos dos quais poderão, em 2022, estar na corrida por reeleição ou cadeiras no Senado. O cenário de disputa, com efeito, tende a ser um palco político recheado por interesses bem menores que os do país: os que fazem carga contra Bolsonaro vão se desdobrar em esforços para carimbar o presidente como alguém que cometeu uma sucessão de crimes e que, nessa condição, deverá receber as devidas sanções legais. No lado do governo, haverá igual esforço para descobrir as malfeitorias com bilhões de reais usados em meio à pandemia, abrindo-se caminho para revelação de desvios de boa monta em estados e municípios. Ao fim e ao cabo, a CPI, como já dito aqui, pode ser muito mais um espaço para holofotes que para uma investigação capaz de punir quem errou. E no atual momento, gente que fez coisas erradas é que não falta nesse país. De um lado e do outro.
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Presidente Jair Bolsonaro o grande alvo da CPI da Covid no Senado (Foto: Isac Nobrega / PR)
Olha aí, Wellington!
No bloco onde fica o gabinete do secretário de Saúde, tem um X9. Ele mesmo manda noticias para a coluna, sem se identificar, se dizendo com 19 anos de casa, e que nunca viu tanto terror dos novos diretores contra os servidores.
É tu, é?
O misterioso informante fala que o desespero dos funcionários, notadamente os comissionados nomeados por Florentino Neto, começou depois da chegada de certo superintendente e diretoras levadas por ele.
Como já se disse, a caixa postal do governador deve estar abarrotada de reclamações.
Contra-ataque
Entre os supostamente perseguidos tem gente levantando junto no TCU manifestação sobre possível ilegalidade na aposentadoria de um dos ditos perseguidores.
Essa briga vai durar.
Dinheiro bom
Quem está se dando bem na pandemia - e não por ela, frise-se - é o time do 4 de Julho, de Piripiri.
Entre a Copa do Nordeste, por cuja participação recebeu R$ 640 mil, o time da cidade dos quatro “is” já faturou R$ 560 mil, na primeira, R$ 675 mil na segunda e R$ 1 milhão e 700 mil na terceira fases da Copa do Brasil.
Total já abocanhado: R$ 3.575.000,00.
Ampla
A CPI da Covid está parecendo com o pedido que se fazia da anistia política sancionada em 1979: ampla, geral e irrestrita.
Os governistas querem que o objeto da investigação recaia também sobre os prefeitos e os governadores.
Manda a real
As redes bolsonaristas criaram uma narrativa segundo a qual, após a instalação da CPI da Covid, como por mágica, acabaram as filas por leitos de UTI e reduziram-se os casos de morte pela doença.
Porque eles adiantam que, temerosos da CPI, os estados estão arrumando as coisas.
Nada mais falso.
Esforços concentrados
Esses avanços, ou seja, a redução de filas e diminuição de mortes, resultam de bloqueios sanitários parciais que os estados e municípios, sem apoio de Brasília, têm conseguido fazer.
O perdedor
No caso da CPI da Covid, governadores e prefeitos pouco ou nada têm a temer, porque até aqui só quem perdeu foi Bolsonaro. Perdeu porque não queria a instalação e o Supremo mandou instalar;
Perdeu porque queria um presidente e um relator que dissessem amém ao Planalto; e pode perder mais porque o primeiro convocado para depor pode ser Luiz Henrique Mandetta.
Que, seguramente não aliviará pra banda de Bolsonaro.
Festival sem licitação
Deveriam os órgãos de fiscalização e controle do Piauí – como de resto das demais unidades da Federação – abrir os olhos para o festival de compras sem licitação, feitas sob o vasto guarda-chuva da emergência em face da pandemia da covid-19.
Aliás, a coluna já está com letras bem apagadas de tanto alertar aos senhores que tem poder de investigar.
Compras
O Instituto de Doenças Tropicais Nathan Portella fez contratos para aquisição de material médico-hospitalar, todos com dispensa de licitação e que somam mais de R$ 5 milhões.
Os contratos foram todos assinados no mesmo dia, 29 de março de 2021.
Comida emergencial
Outro hospital que foi às compras sem licitação, o da Polícia Militar, comprou R$ 387,4 mil em gêneros alimentícios perecíveis e não perecíveis.
Os três contratos foram assinados dia 5 de abril.
Com licitação
Medicamento não haverá de faltar no Hospital Regional Justino Luz, em Picos. Isso porque a Fundação Estatal Piauiense de Serviços Hospitalares assinou contrato no valor de: R$ 12.044.223,60 com a empresa Emmarka Distribuidora de Medicamentos para fornecimento de material de consumo e fármacos.
O contrato foi feito após um pregão eletrônico.
Pregão eficaz
O mesmo pregão eletrônico (SRP no 39/2020/Fepiseh) foi usado para que se firmasse um contrato no valor de R$ 3.165.600,00, destinados à aquisição de material de consumo e equipamentos para os Hospitais Justino Luz e Getúlio Vargas.
Pacote
A Prefeitura de Campo Maior resolveu licitar um pacote de obras, que incluem manutenção (recuperação/conservação), reforma e ampliação de prédios públicos em geral, vias urbanas e rurais, drenagens e tapa-buracos. O valor estabelecido é de R$ 3.142.926,29.
A licitação vai ocorrer dia 28 de abril.
Chaminé
A chaminé das Indústrias Moraes, em Parnaíba, será alvo de uma avaliação de estabilidade para se saber se será demolida ou restaurada.
A estrutura fica no Bairro do Carmo, bem próximo do Centro.
Zoobotânico
José Cândido Nóbrega Júnior fez sucesso com o seu espanto, expresso nesta coluna, sobre o fato de Wellington Dias não conseguir cuidar do Zoobotânico e agora estar preocupado em discutir com o presidente dos Estados Unidos os rumos do clima no Planeta.
Bem, tem novidade na área do Zoobotânico: foi prorrogada até outubro a consulta pública para a venda do parque.
Sob pressão
Na questão do cofinaciamento da saúde, na semana passada saiu um decreto de suplementação orçamentária abrindo crédito de R$ 7 milhões para pagar os municípios.
Mas esse valor nem faz cócegas no tamanho do passivo da Secretaria Estadual de Saúde com as prefeituras, que passa fácil de R$ 100 milhões.
Cobertor curto
Com o cobertor curto, o governo estadual segue cobrindo um santo e descobrindo outro. A suplementação orçamentária de R$ 118,1 milhões para a área da saúde, sobretudo hospitais estaduais e regionais, levou à anulação de créditos orçamentários de R$ 50 milhões para a expansão da melhoria da educação básica (R$ 23,8 milhões) e formação continuada de professores (R$ 26,2 milhões).
Como assim?
Vem cá, alguém pode explicar como um governo que na semana passada criou um Bolsa Analfabetismo, no valor de R$ 80 milhões para premiar os novos alfabetizados, e na mesma semana corta R$ 26 milhões da formação de professores?
Calote
Aliás, o decreto que tira dinheiro da melhoria da educação básica e formação de professores também passou uma faca em R$ 20 milhões destinados ao pagamento de dívidas judiciais, vulgo precatórios.
Você entendeu, leitor? É capaz de Wellington Dias, também não.
Ping-Pong
O desfile insólito
Quem conta a história é o também jornalista Sebastião Nery: durante uma entrevista no Palácio do Planalto, Carlos Castello Branco, o Castellinho, dono da mais conceituada coluna política do país, no Jornal do Brasil, interpela o presidente Humberto de Alencar Castelo Branco.
Castellinho: “Presidente, como o senhor se sentiu ao ler a declaração de Carlos Lacerda chamando-o de o Anjo da Rua Conde Lage?”
Castelo Branco: “O anjo fica na parede, no alto, de onde contempla o desfile das prostitutas”.
Expressas
O Hospital Municipal Dona Lurdes Mota, em Pio IX, vai ser reformado pela prefeitura local a um custo de R$ 1,173 milhão.
R$ 1.587.180,68 é quanto a Prefeitura de Corrente vai aplicar na construção de uma praça, com recursos do Ministério do Turismo.
A Prefeitura de São Francisco de Assis do Piauí planeja gastar R$ 500 mil em merenda escolar neste ano. Tomara que dê tempo as crianças voltarem às aulas presenciais, né?