Etanol desponta como combustível do futuro

Brasil amplia produção de etanol de milho e investe no combustível sustentável da aviação

Por Dominic Ferreira,

Na corrida global pela descarbonização e controle do risco climático, o etanol surge como uma das principais soluções para um futuro sustentável, segundo especialistas. Produzido a partir da cana-de-açúcar ou do milho, o biocombustível é amplamente usado na mistura com gasolina e vem sendo estudado como matéria-prima para o combustível sustentável da aviação (SAF). O Brasil, segundo maior produtor mundial de etanol, destaca-se pelo avanço da produção de etanol de milho, com investimentos que ampliam a escala produtiva nacional.

Foto: Reprodução | DivulgaçãoCana-de-açúcar é a base do etanol, combustível renovável para veículos.
Cana-de-açúcar é a base do etanol, combustível renovável para veículos.

Dados da consultoria Datagro indicam que o número de plantas produtoras de etanol de milho passará das atuais 25 para 62 nos próximos dez anos, com aumento de 122,5% na produção, que saltará de 11,1 bilhões para 24,7 bilhões de litros. Em 2024, a produção total de etanol no Brasil chegou a 36,9 bilhões de litros, crescimento de 4,22% em relação ao ano anterior, enquanto os Estados Unidos produziram 66 bilhões, conforme a Agência Internacional de Energia.

Para Plínio Nastari, presidente da Datagro, o etanol é vital para a descarbonização, destacando a competitividade do custo brasileiro e o aumento da produtividade, que passou de 2 mil para 7 mil litros por hectare em 50 anos. Ele refuta a ideia de competição entre etanol e alimentos, apontando sinergias na cadeia produtiva e as oportunidades para mercados emergentes como SAF, bioplásticos e hidrogênio verde. O recente aumento do percentual de etanol na gasolina (30%) é um passo, mas ainda há espaço para ampliar o consumo.

No Nordeste, o potencial para a produção de etanol é promissor, com redução gradual do déficit regional, que deve diminuir 85% até 2030 graças a novos projetos. Luiz Abel Amorim, do Banco do Nordeste, destaca o forte investimento na infraestrutura de energias renováveis na região, que contribui para o Brasil liderar globalmente a matriz elétrica com 88,2% de energia limpa. O avanço do etanol e do SAF reforça a posição do país na vanguarda da transição energética, como discutido no Fórum Nordeste, realizado recentemente em Recife.

Fonte: Correio Braziliense

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