Correios aguardam aval da Fazenda para liberar empréstimo de R$ 20 bilhões

A estatal busca financiamento para enfrentar rombo crescente e viabilizar reestruturação

Por Carlos Sousa,

Os Correios dependem de autorização do Ministério da Fazenda para contratar o empréstimo de R$ 20 bilhões aprovado pelo conselho de administração. A operação, que envolverá bancos públicos e privados, ainda será analisada pelo Tesouro Nacional, responsável por garantir o financiamento, e pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.

Foto: INSSBeneficiários agora podem contestar descontos indevidos nos Correios

Integrantes da direção da estatal informaram que o pool de instituições inclui Citibank, Banco do Brasil, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra. A Fazenda afirmou que não há, oficialmente, nenhuma operação dos Correios em análise no momento.

O valor será liberado em parcelas, para evitar que recursos fiquem ociosos no caixa enquanto geram custos. A previsão é que parte significativa só seja usada em 2026. O pagamento deverá ocorrer em até 15 anos, com carência de pelo menos dois anos. A expectativa da empresa é voltar ao lucro somente a partir de 2027.

A situação financeira da estatal se agravou em 2025: o prejuízo acumulado até setembro chegou a R$ 6 bilhões, quase o triplo do registrado no mesmo período do ano anterior. O conselho aprovou as demonstrações contábeis do terceiro trimestre, que apontam queda de receitas, aumento de despesas operacionais e impacto de obrigações judiciais e trabalhistas.

O plano de reestruturação anunciado em outubro prevê medidas como fechamento de até mil agências deficitárias, programa de demissão voluntária, remodelagem dos planos de saúde dos funcionários e venda de imóveis, com potencial de arrecadar até R$ 1,5 bilhão. A estimativa é de cerca de 10 mil desligamentos, embora o número ainda não tenha sido confirmado.

A estratégia será executada em três fases: recuperação financeira, consolidação e crescimento. A estatal reforça que os serviços postais universais serão mantidos como compromisso estratégico e social. No primeiro semestre de 2025, esses serviços custaram R$ 5,4 bilhões, gerando déficit líquido de R$ 4,5 bilhões.

Fonte: CNN Brasil

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