Governo terá de acelerar leilões para cumprir meta rodoviária em 2026

Com apenas dois certames realizados, agenda concentra disputas no segundo semestre

Por Redação Portal AZ,

O governo federal precisará realizar, em média, dois leilões de rodovias por mês até o fim do ano para cumprir a meta de 13 concessões prevista para 2026. Após um primeiro semestre de ritmo reduzido, a maior parte dos certames programados está concentrada nos meses finais do calendário, em meio a restrições orçamentárias e desafios relacionados à repactuação de contratos.

Foto: ReproduçãoMaioria dos leilões rodoviários previstos para 2026 está concentrada no segundo semestre.
Maioria dos leilões rodoviários previstos para 2026 está concentrada no segundo semestre.

A meta do governo federal de promover 13 leilões rodoviários em 2026 exigirá uma aceleração significativa da agenda de concessões nos próximos meses. Até agora, apenas dois projetos foram levados ao mercado: as concessões Rotas Gerais, em Minas Gerais, e Rota dos Sertões, que abrange trechos em Pernambuco e na Bahia.

Com cerca de 85% dos certames previstos concentrados no segundo semestre, o cronograma dependerá de uma sequência de disputas em ritmo mais intenso para alcançar o objetivo anunciado pelo Ministério dos Transportes. Até o momento, não há leilões federais programados para junho. A agenda deve ser retomada em julho com a concessão da Rodovia Régis Bittencourt, que liga São Paulo ao Paraná e é o único projeto com data oficialmente definida.

Caso todas as concessões previstas sejam realizadas, o governo repetirá o recorde de 13 leilões alcançado em 2025. No ano passado, a maior parte dos certames também ficou concentrada na segunda metade do ano, após uma aceleração observada nos meses finais.

Entre os projetos previstos para os próximos meses estão a Rota 2 de Julho, na Bahia, a Rota Vale do Café e os lotes 1 e 3 das Rodovias Integradas de Santa Catarina. A carteira também inclui processos de repactuação de contratos já existentes, como Arco Norte e Transbrasiliana.

Especialistas avaliam que a meta permanece viável, mas alertam para a necessidade de manter a qualidade técnica dos projetos. Para analistas do setor, a consistência das modelagens e a segurança jurídica dos contratos tendem a ser fatores mais relevantes para o sucesso das concessões do que o número de leilões realizados.

O interesse do mercado pelos ativos rodoviários segue elevado, segundo representantes do segmento. A forte concorrência observada em certames recentes e a entrada de novos investidores indicam que a demanda do setor privado não é vista como o principal desafio para a agenda de concessões.

As maiores preocupações estão relacionadas à estruturação dos projetos e às limitações orçamentárias dos órgãos responsáveis. Recentemente, o governo promoveu bloqueios de recursos em áreas ligadas à infraestrutura para atender às metas fiscais. O Ministério dos Transportes teve parte do orçamento contingenciada, assim como a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), responsável pela regulação do setor.

Outro fator de incerteza envolve as repactuações contratuais. Das concessões previstas para este ano, quase metade depende da renegociação de contratos existentes, processos que exigem consenso entre concessionárias, governo e órgãos de controle antes da abertura de novas disputas.

Apesar da proximidade do calendário eleitoral, especialistas consultados pelo setor avaliam que o período não deve comprometer o cronograma dos leilões. Como muitos projetos já se encontram em estágio avançado de estruturação, a expectativa é de continuidade da agenda independentemente do cenário político dos próximos meses.

Fonte: CNN Brasil

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