Termo “adultização” não foi citado na Câmara em 2025, revela levantamento
Tema ganha força após vídeo de Felca e reúne mais de 15 projetos na Câmara
O termo “adultização”, que se refere à exposição precoce de crianças a conteúdos e comportamentos inadequados para sua faixa etária, não foi mencionado nenhuma vez nos discursos na Câmara dos Deputados entre fevereiro e 7 de agosto de 2025, segundo levantamento inédito realizado pelo Correio. O tema ganhou destaque nacional após o influenciador Felipe Bressanim, conhecido como Felca, publicar um vídeo viral sobre o assunto no dia 7 de agosto, que já acumula mais de 31 milhões de visualizações no YouTube e repercutiu fortemente no Congresso.
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Em resposta à repercussão, o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que pautará nesta semana projetos voltados à proteção de crianças e adolescentes na internet. Paralelamente, o presidente Lula anunciou a intenção de enviar ao Congresso um projeto de regulação das redes sociais, reforçando o debate sobre o tema. Apesar da ausência da palavra “adultização” nos discursos, temas relacionados como exploração infantil, pedofilia e abuso sexual foram citados 11 vezes cada no mesmo período.
Na Câmara, existem atualmente 17 projetos de lei que tratam da proteção de crianças e adolescentes, com vários deles protocolados após a viralização do vídeo de Felca. Entre as propostas destacam-se a criminalização da adultização digital, regras para a participação infantil em conteúdos monetizados, mecanismos para controle e denúncia de conteúdos impróprios e a criação do chamado “Botão de Alerta Infantil” nas plataformas digitais.
No Senado, a mobilização também avança com o pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o papel de influenciadores e plataformas na disseminação de conteúdos que exploram crianças. A iniciativa, liderada pela senadora Damares Alves e pelo senador Jaime Bagattoli, já conta com 63 assinaturas, demonstrando a urgência e o interesse dos parlamentares em enfrentar o problema.
Fonte: Correio Braziliense