Regulação de redes sociais gera conflito entre Brasil e governo Trump nos EUA

Congresso debate proteção infantil enquanto EUA defendem interesses das big techs

Por Dominic Ferreira,

O debate sobre a regulação das redes sociais ganhou força no Brasil após denúncias de exploração infantil e conteúdos nocivos nas plataformas digitais. Projetos de lei voltaram à pauta do Congresso Nacional, buscando maior responsabilização das empresas pelo controle desses conteúdos, especialmente para proteger crianças e adolescentes. A iniciativa ganhou apoio do governo federal, mas também enfrenta resistência política interna e externa.

Foto: Andressa Anholete/Agência SenadoFachada do Palácio do Congresso Nacional
Fachada do Palácio do Congresso Nacional

Parlamentares bolsonaristas lideram a oposição, alegando que as propostas configuram censura e prometem obstruir a aprovação de medidas como as do senador Alessandro Vieira, que visam proteger o público infantil no ambiente digital. Além disso, essa bancada busca apoio do governo norte-americano, que critica duramente as regulamentações internacionais às big techs, defendendo que as empresas sigam apenas as normas dos Estados Unidos.

O presidente Donald Trump tem se posicionado contra iniciativas de regulação adotadas por países como Brasil, União Europeia, Austrália e Canadá, ameaçando sanções e defendendo os interesses das empresas de tecnologia. Esse embate ocorre em um contexto de tensões comerciais mais amplas entre Brasil e EUA, agravadas pelo tarifaço de 50% imposto pelo governo Trump a produtos brasileiros e críticas às decisões da Justiça brasileira.

Enquanto as plataformas digitais possuem regras internas para coibir comportamentos ilegais, como exploração sexual infantil, a aplicação dessas normas é desigual, e algoritmos muitas vezes impulsionam conteúdos sensíveis. O Brasil busca legislar para uniformizar essas práticas e garantir maior proteção às crianças, mas o confronto político e diplomático indica que essa regulação poderá enfrentar barreiras significativas no cenário internacional.

Fonte: Correio Braziliense

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