Hugo Motta descarta anistia ampla, mas admite revisão de penas do 8 de janeiro

Presidente da Câmara diz que não cederá à chantagem e pede equilíbrio no debate

Por Dominic Ferreira,

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que não há ambiente político na Casa para aprovar uma anistia ampla, geral e irrestrita aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Em entrevista à GloboNews, Motta ressaltou que não irá negociar as prerrogativas de presidente, mas destacou que não tem preconceito com nenhuma pauta. Segundo ele, caberá ao Colégio de Líderes decidir se o projeto de anistia (PL 2858/22) será levado ao Plenário.

Foto: Hugo Motta 3Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB)
Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB)

Motta frisou que os atos do 8 de janeiro foram graves e que não é razoável conceder perdão a quem planejou atentados contra pessoas e instituições. No entanto, admitiu que a Câmara pode discutir um texto que permita reavaliar as penas de condenados que não tiveram papel central nos ataques. Para o parlamentar, muitos receberam punições desproporcionais, o que pode justificar uma revisão que possibilite regimes mais brandos.

Durante a entrevista, o presidente da Câmara destacou ainda que não pretende atropelar a discussão ou ceder a pressões externas. “Ninguém quer fazer nada na calada da noite, porque o que aconteceu em 8 de janeiro foi muito grave e triste para a democracia”, declarou. Ele reafirmou que a condução das pautas seguirá o critério de maioria entre os líderes partidários.

Sobre o foro por prerrogativa de função, conhecido como foro privilegiado, Motta classificou o tema como complexo e defendeu cautela para que mudanças não sejam interpretadas como tentativa de impunidade. Ele destacou que parlamentares precisam de garantias para o livre exercício do mandato, mas reconheceu que há incômodo com decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o presidente, a discussão deve avançar com equilíbrio e clareza sobre o objetivo de cada proposta.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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